Tenham dó dos jornalistas!

Tutty Vasques

28 de dezembro de 2010 | 06h22

Já fui repórter, sei muito bem o que é viver na redação de um grande jornal este intervalo de tempo interminável que separa o Natal do réveillon. Pior ainda quando está tudo como agora, calmo demais – escuta só! Tem editor experiente tentando ouvir no silêncio da falta de notícia os primeiros ruídos tenebrosos de terremoto ou tsunami, temporal, soterramento, naufrágio, explosão, essas coisas que sempre pegam o ser humano de surpresa nesta época do ano.

Nem o mais foca dos jornalistas acredita que o caos nos transportes do hemisfério Norte ou a elevação da estimativa de inflação no Brasil é má notícia suficiente pra fechar a tampa de 2010 em grande estilo. Nas rondas da reportagem, a expectativa é de uma última apresentação apoteótica da turnê planetária do fim do mundo, ainda sem local e data definidos.

O leitor, naturalmente, torce para que nada aconteça, mas esta também não deixa de ser uma situação trágica para o jornalista de plantão. A manchete de amanhã não pode ser “Faltam 3 dias para o Ano Novo!” Pense no drama dessa gente antes de sair por aí culpando a imprensa por tudo.

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