Torcedor de segunda classe

Tutty Vasques

06 de agosto de 2013 | 06h13

reproduçãoNesses tempos bicudos em que a falta de público torna cada vez menor o espaço destinado à primeira classe nos aviões de carreira, as novas “arenas” do futebol brasileiro desafiam a crise econômica apostando em imensas áreas nobres da plateia reservadas ao torcedor endinheirado.

O resultado pode ser conferido nas transmissões dos jogos pela TV em que as câmeras invariavelmente passeiam por um deserto de cadeiras vazias junto às duas laterais do campo. A classe econômica da torcida é atrás do gol, justo onde a visibilidade do espetáculo é menos privilegiada.

A situação é desconfortável até para quem pode pagar algo entre R$ 250 e R$ 550 pelo ingresso defronte ao centro do campo: ao contrário da primeira classe dos aviões, onde o bem-bom dos passageiros é mantido fora do alcance da visão da turba espremida lá trás, nos estádios de futebol os gatos pingados mais abastados são expostos à massa segregada.

Tem rico que fica até com vergonha de aparecer no telão!

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