Tragédia pastelão

Tutty Vasques

10 de setembro de 2010 | 06h40

A política brasileira atravessa agora aquela fase desagradável, que o cinema nacional graças a Deus superou, de carência absoluta de bons roteiros em cartaz. As coisas acontecem, ninguém entende muito bem por que – nem pra quê! – e, não raro, perde-se a compreensão dos diálogos. O debate na atual campanha eleitoral parece um filme brasileiro dos anos 1970. Lembra?

         Tudo soa falso em cena: o mocinho, o bandido, a motivação do crime, a lógica da ação, o tom da reação, o clímax, o anticlímax e qualquer tentativa de final feliz. Falta, se não verossimilhança, imaginação na carpintaria do argumento que deu origem à trama da quebra de sigilos em série na Receita Federal. A história é boa, mas sua dramaturgia política, de péssima qualidade.

Será que não há chance, ainda que remota, desses aloprados serem tão-somente aloprados? Quiçá reunidos numa ONG destinada a disseminar lambanças para constranger autoridades responsáveis a jurar jamais cometê-las no exercício do poder público.

Qualquer comédia terá mais chance de agradar ao eleitor, cansado do gênero trágico-pastelão da política brasileira. Todo mundo já viu este filme. Acaba sempre em pizza, né?!

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