Túmulo do tempo

Tutty Vasques

05 de junho de 2011 | 06h21

ILUSTRAÇÃO POJUCANJá que, no final das contas, o impeachment do Collor voltará a ter lugar de destaque no chamado “túnel do tempo” do Senado, não custava nada aproveitar que vão mesmo mexer nos painéis ilustrados expostos na galeria para acrescentar outros fatos igualmente importantes para o bom entendimento do passado no Congresso Nacional.

Como deixar de fora momentos inesquecíveis como aqueles que, em 2000, se seguiram à violação do painel de votação do plenário por obra e graça de Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda? Não se pode apagar daquelas paredes o que permanece vivo na memória popular.

Como esquecer, por exemplo, os momentos em que Eduardo Suplicy cantava Racionais MC, em especial aquele rap em que o senador interpretava em performance giratória os tiros da canção: “Pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá… PÁ!” – lembra? O Brasil era feliz e não sabíamos!

Todo presidente do Senado deixou pelo caminho de acesso ao anexo 2 pegadas bem visíveis de sua gestão. Quem não se recorda, ainda que vagamente, da piada pronta do ranário da mulher de Jáder Barbalho? Tinha, salvo engano, Sudam no meio, e o escambau!

Os detalhes vão se perdendo pelo caminho! Muita gente não tem mais noção da função de um certo lobista no trepidante romance de Renan Calheiros e Mônica Veloso. Um simples desenho na parede pode ajudar a esclarecer.

Para bem contar essa história, nenhum roteiro – ilustrado ou audiovisual – pode desprezar fatos como a nomeação de funcionários fantasmas através de atos secretos da administração José Sarney. O atual presidente da Casa merecia um paredão só para ele no “túnel do tempo”, né não?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.