Um pai para o Sarney

Tutty Vasques

01 Agosto 2009 | 09h30

Dessa vez o presidente Lula se superou na arte de nos confundir: sancionou de manhã a lei que estabelece a presunção da paternidade para reconhecer automaticamente o pai que se recusar a fazer exame de DNA e, à tarde, declarou que o Sarney não é problema dele, como presumíamos.

Dizer que não é o pai da criança, no caso, não basta, tantas são as afinidades cultivadas nas últimas semanas entre os presidentes do Senado e da República. Bandeira maior foi quando Lula falou que não considera Sarney “uma pessoa comum”, coisa que nenhum filho é.

Só a paternidade, aliás, justificaria a defesa do indefensável praticada com desenvoltura no discurso de Lula, sob a lógica da governabilidade. Pai acolhe, protege, encobre, desculpa, afaga, deixa pra lá! Se não é o caso, como deu a entender dia desses com aquele “não é problema meu”, o presidente precisa dissipar o que hoje se presume sobre seu parentesco político com o pai da Roseana, ainda que não tenha nada a ver com o emprego arranjado para o namorado da Bia, sua bisneta presumida.

Texto publicdo no cadeno Metópole deste sábado no ‘Estadão’.