‘Unzinho’ não é muito!

Tutty Vasques

31 de julho de 2014 | 00h12

ilustração pojucanEm defesa do Piauí, como é conhecido em Osasco o pobre coitado que crucificaram por confidenciar que “esperava receber unzinho em troca” da casa que cedeu para servir de comitê da chapa Eduardo-Marina, vale lembrar pela enésima vez que, antes de formar parceria com Vinícius de Moraes, Tom Jobim foi direto ao assunto na sua apresentação ao poeta: “Tem um dinheirinho nisso?”

Na época, verão de 1956, também pegou mal a sinceridade do maestro, mas sou capaz de apostar que, em ambos os casos, estava em jogo tão somente a sobrevivência, zero de ganância ou esperteza. Tanto quanto Tom Jobim, Piauí não teve intenção de causar constrangimento moral a ninguém. Só não se deram conta de que não era hora para falar em dindim.

Relaxa, Marina! Aceite de bom grado o voluntarismo do Piauí, que lhe abriu as portas de sua modesta residência e, se sobrar “unzinho” da verba de campanha, enfia discretamente no bolsinho do sujeito. Não há nada de tão imoral nisso!