Urubus & papagaios

Tutty Vasques

28 Setembro 2010 | 06h18

ghkO brasileiro está dividido: metade – garantem as pesquisas – vai votar em Dilma Rousseff. A outra metade é contra a exposição de urubus em obra-de-arte da Bienal de São Paulo. Como se já não bastasse a árdua tarefa de justificar seu voto para presidente, o eleitor tem sido chamado pelo noticiário a se posicionar sobre a instalação que aprisiona três urubus no vão central do pavilhão do Ibirapuera, em ambiente de esculturas de areia negra e granito, sonorizado pela execução contínua das músicas Bandeira Branca, Carcará e Boi da Cara Preta. Simboliza o luto!

         Faz, cá pra nós, tanto sentido quanto a candidatura Tiririca, mas é bom tomar cuidado com o que comentar em público contra ou a favor do trabalho do escultor Nuno Ramos na Bienal. No mundo das artes plásticas, como se sabe, a fronteira que separa a genialidade da mais completa palhaçada é tênue como a linha divisória de águas entre os candidatos sérios e os que estão aí de brincadeira.

O risco de ser mal interpretado ou de dizer bobagens sobre os urubus na Bienal é tão grande quanto o ônus da defesa deste ou daquele papagaio do Horário Eleitoral Gratuito. Fuja desses assuntos, se puder!