Voar é com os pássaros

Tutty Vasques

24 Novembro 2010 | 02h37

ahaNo comércio, é praxe: o balconista não vende a mesma peça do estoque – seja um computador ou um pijama – para fregueses distintos. Se só restar uma unidade do produto na prateleira, leva quem chegar primeiro. O seguinte, se quiser, que espere pela reposição do almoxarifado!

Em geral, é assim: hotéis não reservam o mesmo quarto no mesmo fim de semana para hóspedes diferentes; táxis não param para quem faz sinal quando já estão tripulados; teatros não vendem a mesma poltrona duas vezes para uma única sessão de espetáculo.

O ser humano é, por natureza, exclusivista. Cada um tem sua casa, seu automóvel, seu cartão de crédito, seu guarda-roupa, e ninguém tasca!

Passagem de avião é a única coisa pela qual, tradicionalmente, o homem paga sem saber se vai usufruir da compra. As companhias aéreas chamam de overbooking a molecagem de vender duas vezes o mesmo assento para se proteger de possíveis desistências.

Mas, com os aeroportos botando gente pelo ladrão, a prática está proibida neste fim de ano. Aproveite! É bem provável que, já no Carnaval, a Anac volte a tolerar que te joguem pra fora do avião com bilhete na mão.