300 pela inclusão

300 pela inclusão

É possível causar mudanças sociais a partir de iniciativas individuais e reunir gente com interesse verdadeiro nessa transformação.

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 de junho de 2022 | 16h00

Foto de um grande grupo de pessoas sentadas em frente a um palco onde um homem faz uma apresentação.

Instituto Serendipidade reuniu 300 pessoas no evento ‘Virada de Chave’. Foto: Divulgação.


A inclusão ainda é negligenciada, tratada de maneira oportunista, defendida de forma superficial, usada e propagada nas redes sociais por quem jamais coloca em prática na própria rotina o que cobra do outro, mas é possível causar mudanças sociais a partir de iniciativas individuais e juntar gente com interesse verdadeiro nessa transformação.

No último dia 23 de maio, Henri Zylberstajn, fundador do Instituto Serendipidade, entidade que nasceu exatamente com o propósito de transformar o olhar da sociedade sobre a inclusão, comandou o evento ‘Virada de Chave’, que reuniu 300 participantes no Espaço Villa Bisutti, na Vila Olímpia, região sul de São Paulo.

“Trabalhamos muito para que a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade não seja encarada como um problema, um favor, mas sim como solução, um processo com benefícios para todos os envolvidos”, diz Henri em entrevista ao blog Vencer Limites.

“Essa transformação tem dois pilares. Conscientização, com informação sobre as pessoas com deficiência e sobre a inclusão, com protagonismo e representatividade das pessoas com deficiência, ocupando seu lugar de fala e agindo por conta própria. E a construção de oportunidades para que todos convivam com as pessoas com deficiência, conheçam e entendam as muitas formas de se viver, existir e ser feliz, e compreendam que pessoas com deficiência, antes de qualquer característica específica, são pessoas”, afirma.

“Atingimos esses objetivos de forma muito satisfatória e fortalecemos os dois pilares, com muita informação acessível apresentada por pessoas com deficiência, com leveza e de maneira construtiva, sem vitimizações, sem apontar o dedo na cara de ninguém, algo que combina com o cotidiano na minha família (Henri e sua esposa Marina têm três filhos, Nina, Lipe e Pepo, o caçula, que tem síndrome de Down) e com o que acreditamos ser correto para erguer pontes e fazer conexões com pessoas sem relações com esses temas”, celebra.


Foto do empreendedor Henri Zylberstajn ao lado do apresentador Luciano Huck.

Luciano Huck foi um dos convidados e falou sobre empreendedorismo social. Foto: Divulgação.


“Foi um evento realmente inclusivo, com muitas pessoas com diversas deficiências e também sem deficiência, com muitas pessoas de classes sociais, raças e religiões diferentes. E todos conviveram ali com pessoas com deficiência, mas niguém era ‘superhumano’, ninguém foi desumanizado. Havia pessoas com deficiência entre os convidados, nas equipes de trabalho do evento, entre os palestrantes, uma presença natural”, comenta Henri.

Um dos convidados foi Luciano Huck, que falou sobre empreendedorismo social. “Devemos ser lembrados pelo que espalhamos”, enfatizou o apresentador. “Luciano sempre foi um aliado da causa e saiu do evento transformado de maneira positiva para dar mais um passo na direção da união e das possibilidades que temos em conjunto”, destacou Henri.

Todos os recursos arrecadados pelo evento serão investidos em quatro projetos do Instituto Serendipidade (Laços, Iniciação Esportiva, Envelhecimento Saudável e Escola de Impacto).

Laços já atendeu mais de 250 famílias, inclusive no exterior, em uma rede de apoio entre famílias que receberam diagnósticos de filhos com 14 tipos de deficiências, incluindo a síndrome de Down. Iniciação Esportiva, em parceria com o Centro Israelita de Apoio Multidisciplinar (Ciam), atende 30 crianças com Trissomia 21 entre 3 e 9 anos, tem quipe multidisciplinar e atua no desenvolvimento neuromotor, social e intelectual dos alunos com síndrome de Down, que costumam ter hipotonia e dificuldades para frequentar atividades esportivas nessa faixa etária. Envelhecimento Saudável é uma parceria com o Hospital Albert Einstein. E a Escola de Impacto, em parceria com a Turma do Jiló, forma jovens empreendedores sociais e tem mais de 200 alunos.


Foto de Henri Zylberstajn em pé sobre um palco, falando ao microfone.

Henri Zylberstajn comandou o evento ‘Virada de Chave’. Foto: Divulgação.


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