‘A chamada política de inclusão, na verdade, é hipócrita’, diz Marilena Pacios, superintendente da Associação Cruz Verde

‘A chamada política de inclusão, na verdade, é hipócrita’, diz Marilena Pacios, superintendente da Associação Cruz Verde

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 Março 2013 | 00h01

Curta Facebook.com/VencerLimites
Siga @LexVentura
Mande mensagem para blogvencerlimites@gmail.com
O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Cacá nasceu há aproximadamente 12 anos com hidrocefalia e mielomeningocele. Foi rejeitado pela família e acabou sob a tutela da Justiça. Quando tinha cerca de 8 meses de vida, chegou às mãos da Associação Cruz Verde, entidade particular, filantrópica e sem fins lucrativos que cuida de portadores de paralisia cerebral grave. Esses voluntários perceberam que, gradativamente, Cacá poderia ser inserido na sociedade, receber educação, carinho, e se tornar um cidadão.

Ele já havia completado 3 anos quando a Cruz Verde decidiu que era a hora de colocá-lo em uma escola (particular) e teve início uma peregrinação. “Fomos rejeitados por cinco escolas e cada uma apresentava vários motivos para justificar a recusa”, conta Marilena Pacios, superintendente da associação. “A chamada ‘política de inclusão’, na verdade, é hipócrita”, diz.

As portas foram abertas para Cacá pela escola Pueri Domus, na zona sul de São Paulo, que ofereceu uma bolsa de 30%. Os 70% restantes seriam pagos por funcionários da Ford. A Cruz Verde iria arcar com custos de transporte, uniforme, material escolar, etc, “exatamente o que pais fazem por seus filhos”, afirma Marilena Pacios.

E a vida desse menino ainda mudaria novamente porque, alguns anos depois, ele foi adotado. “Os pais do Cacá fazem questão de manter contato conosco e nos visitam constantemente”, comemora a superintendente.

A história de Cacá exemplifica a dificuldade diária que pessoas com deficiência (física ou intelectual) enfrentam no Brasil. Para Marilena Pacios, os obstáculos são econômicos, sociais e, principalmente, culturais, mas o País evoluiu nos últimos 10 anos. “Não falamos mais um idioma incompreensível. Atualmente, apesar das dificuldades, somos compreendidos”, diz a coordenadora, que acredita na necessidade de mudanças no poder público, nas famílias e, inclusive, na mentalidade das pessoas com deficiência. “O problema é que a pessoa com deficiência ainda se considera um ser à parte, que jamais terá oportunidades, porque a sociedade nos impõe a normalidade”, avalia.

Eterno – Uma pessoa com paralisia cerebral grave é um bebê para o resto da vida, afirma Marilena Pacios . “Ele jamais pode ficar sozinho e dá muito trabalho, em 100% dos casos. E mesmo com tudo isso, muitas famílias se transformam, porque essas pessoas são, de forma absoluta, puras e inocentes”, diz.

A associação luta diariamente para manter um hospital, um ambulatório e vários serviços de apoio. “No hospital, por exemplo, temos convênio com Sistema Único de Saúde (SUS), mas não há reajuste há 10 anos”, diz a superintendente da Cruz Verde. Além disso, os pacientes têm “agravos clínicos”, como cadeiras especiais e outros equipamentos. E  não existe na saúde pública o atendimento para deficientes graves.

Doações em dinheiro podem ser feitas diretamente na Cruz Verde ou em duas contas bancárias.
– Bradesco: agência 2282-9, conta 13.000-1.
– Itaú: agência 0368-9, conta 20.000-2.

Alimentos, produtos de higiene e outros itens podem ser enviados ou entregues diretamente na associação. Informações pelo telefone (11) 5579-7335.