“A esgrima paralímpica cresceu muito”

“A esgrima paralímpica cresceu muito”

Jovane Guissone, medalhista de ouro em 2012, chega aos Jogos do Rio como campeão. E diz estar pronto para lutar por mais uma medalha.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de setembro de 2016 | 10h00

Jovane Guissone não aceita perder, principalmente quando a disputa é pelo primeiro lugar, mas ele afirma não ter medo da derrota. “Tem que ser foco, coragem. Quero as melhores metas. Estou lutando pela minha segunda medalha paralímpica”, diz.

“O atleta de alto rendimento tem que estar muito preparado para a luta, tem que treinar muito. Fico feliz pela repercussão que tive ao ganhar a medalha de ouro em Londres. E também pela esgrima, que cresceu muito a partir de 2012. Nessa época, éramos 40. Hoje, já são 100 atletas. Só na minha cidade natal (Barros Cassal/RS) já levei seis atletas para a esgrima, que já estão competindo”, diz.

Após enfrentar muitas dificuldades neste ano, ele recebeu um convite do International Paralympic Committee (IPC) para ir ao Vaticano receber uma benção do Para Francisco. E voltou renovado.

Jovane acredita que os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro vão servir de incentivo para que outros atletas busquem as competições. “Em um grande evento esportivo, as pessoas que assistem querem se espelhar em alguém. Os Jogos Olímpicos deixaram uma repercussão. Ficou uma boa imagem”, comenta o esgrimista.

E o tal ‘exemplo de superação’, o retrato do ‘herói’, abordagem habitualmente usada pela mídia em geral quando um atleta com deficiência se torna conhecido, diminuindo todo o treinamento, empenho, fibra e qualidades desse atleta? Jovane diz não ficar incomodado.

“Quanto mais cobrança, melhor. Todo o atleta tem que ter garra, coragem, confiança. Já levei muitas pessoas para o esporte muitas pessoas. Eu mesmo me identifiquei com um atleta que conheci no basquete e me espelhei nele. Quando entrei para esgrima e participei de minha primeira competição internacional, tive certeza de que era o que eu queria”.

“O esporte paralímpico me deu a alegria de viver”

Em 2004, ao 24 anos, Jovane levou um tiro durante um assalto. A bala perfurou órgãos e se alojou na coluna. Fez fisioterapia durante dois anos. Em 2007, começou a praticar no basquete em cadeira. Um ano depois, entrou para a esgrima.

“Para treinar, tinha que pegar ônibus e trem até a Brigada Militar. Levava três horas para ir e mais três horas para voltar para casa. Muitas vezes, esperava o ônibus adaptado, mas ele não vinha”, relembra.

Jovane Guissone ganhou a medalhas de ouro no Campeonato Regional das Américas de Esgrimas em Cadeira de Rodas (florete) no Canadá, em 2015. Conquistou as medalhas de ouro e de prata na Copa do Mundo de Montreal (Canadá 2015), as medalhas de ouro na II Copa Brasil 2015 (individual e equipe), as medalhas de bronze na Copa do Mundo Pisa (espada e florete), na Itália, em 2014. Também levou a prata (espada) na Copa do Mundo Varsóvia (Polônia 2014), o ouro no Campeonato Regional das Américas (Canadá 2014), o ouro (espada) e o bronze (florete) na Copa do Mundo (Canadá 2013) e ainda a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012.


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