“A inclusão é um bem maior para a sociedade”

“A inclusão é um bem maior para a sociedade”

'Educa Podcast' reúne a pedagoga Ângela Dariva Lara e o guitarrista Marco Túlio, do Jota Quest (que têm um filho com síndrome de Down), com Carolina Videira, fundadora da Turma do Jiló, em uma conversa aberta sobre educação inclusiva.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de maio de 2021 | 18h38

Foto de Ângela Dariva Lara e Marco Túlio beijando o filho Theo. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Ângela Dariva Lara e Marco Túlio beijando o filho Theo. Crédito: Divulgação.


A importância da inclusão na escola, os impactos da pandemia na rotina dos estudantes, os retrocessos e a ameaça da segregação dos alunos com deficiência como política educacional oficial no País, proposta pelo governo Bolsonaro, foram os temas do ‘Educa PodCast’, que reúne músicos e educadores para falar sobre a educação no Brasil e no mundo.

O episódio dedicado à educação inclusiva, que foi ao ar neste sábado, 1, teve participação da pedagoga Ângela Dariva Lara e do músico Marco Túlio, guitarrista da banda Jota Quest – que são mãe e pai de Theo, de 10 anos, que tem síndrome de Down -, e também da educadora Carolina Videira, mestre em neurologia e fundadora da Turma do Jiló.

“A inclusão é um bem maior para a sociedade. Poder conviver com as diferentes dificuldades, trabalhar a empatia, a cooperação e a socialização para ter novos olhares. A inclusão não beneficia somente a pessoa com deficiência, é uma oportunidade para a sociedade”, destacou Ângela, apoiadora do Instituto Mano Down, que conduz ações para o desenvolvimento das potencialidades e a autonomia das pessoas com síndrome de Down, para inclusão no mercado de trabalho, oferece atendimento de saúde, oficinas culturais e esportivas.

Uma dos temas centrais da conversa foi o decreto presidencial n° 10.502/2020, que institui a ‘nova’ Política Nacional de Educação Especial, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro do ano passado, suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro, com a proibição de qualquer atividade relacionada, determinação que o Ministério da Educação ignorou, porque continua promovendo o projeto, com eventos oficiais.

“O conceito de educação inclusiva, principalmente no Brasil, ainda é rotulado, como se fosse destinado apenas às pessoas com deficiência. Isso é um equívoco. Uma escola inclusiva, uma educação inclusiva, é uma modalidade que reconhece todas as diferenças, que todos os cérebros têm a sua individualidade. Cada criança tem o seu tempo, a sua forma de aprendizagem”, destacou Carolina Videira, que decidiu fundar a Turma do Jiló, instituição sem fins lucrativos que trabalha pela educação inclusiva em escolas públicas de São Paulo, a partir de sua experiência como mãe de João – o Jiló -, de 13 anos, que tem a síndrome de Pelizaeus-Merzbacher, condidção que reduz o tônus muscular e gera a perda de força.

“Educação é um direito universal e ninguém pode ficar de fora. As próprias escolas especiais admitiram que estavam erradas e disseram que as crianças com deficiência não podem ser segregadas, elas precisam estar na sociedade. No mundo, esse movimento começou em 1970. No Brasil, somente em 2015, com muita dificuldade”, comentou Carolina.

“Temos a Lei Brasileira de Inclusão, que é uma referência mundial. Então, em 2020, o governo propôs um retrocesso, mas as organizações estão unidas. Montamos uma coalização, fomos juntos para Brasília e conseguimos barrar esse retrocesso”, contou a fundadora da Turma do Jiló.

Pandemia – “A pandemia colocou praticamente todas as famílias em uma situação que, às vezes, só as famílias com crianças com deficiência viviam, de isolamento social forçado. Porque, muitas vezes, a gente não pode ir a um parque que não tem acessibilidade arquitetônica, não tem brinquedos adaptados para as crianças e adolescentes com deficiência”, ressaltou Carolina.

“Não é o nosso caso, porque temos uma situação diferente e conseguimos manter as atividades dos nossos filhos. Mas a pandemia afetou não só o direito à educação, mas à alimentação. É uma crueldade, um abandono, das crianças e das famílias. Muitas crianças iam para a escola também para comer”, lembrou Ângela.



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