A música acessível de Luiza Caspary

A música acessível de Luiza Caspary

Artista apresenta segundo trabalho autoral e lança vídeo da música 'Sinais', no qual canta e interpreta a canção em Libras. Em entrevista ao #blogVencerLimites, com vídeos exclusivos gravados pela própria cantora e traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais, ela fala sobre o novo projeto e destaca a importância da acessibilidade na cultura.

Luiz Alexandre Souza Ventura

09 Outubro 2018 | 11h49

IMAGEM 01: Artista apresenta segundo trabalho autoral e lança vídeo da música 'Sinais', no qual canta e interpreta a canção em Libras. Em entrevista ao #blogVencerLimites, com vídeos exclusivos gravados pela própria cantora e traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais, ela fala sobre o novo projeto e destaca a importância da acessibilidade na cultura. Descrição #pracegover: Em uma sala, Luiza está sentada de pernas cruzadas em um enorme sofá vintage de chenille bege ao centro, sobre um tapete felpudo de mesma cor. Ao fundo, desfocado, de cada lado, uma porta que dá para um jardim, duas estantes azuis com livros, e no centro uma abertura para outra sala. Luiza tem cabelos lisos e ruivos em um coque no alto, com mechas laterais. Ela está de colant preto de mangas 3/4, calça de veludo bege cintilante e pés descalços. Enquanto canta, Luiza sinaliza em Libras. Crédito: Reprodução.

IMAGEM 01: Artista apresenta segundo trabalho autoral e lança vídeo da música ‘Sinais’, no qual canta e interpreta a canção em Libras. Em entrevista ao #blogVencerLimites, com vídeos exclusivos gravados pela própria cantora e traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais, ela fala sobre o novo projeto e destaca a importância da acessibilidade na cultura. Descrição #pracegover: Em uma sala, Luiza está sentada de pernas cruzadas em um enorme sofá vintage de chenille bege ao centro, sobre um tapete felpudo de mesma cor. Ao fundo, desfocado, de cada lado, uma porta que dá para um jardim, duas estantes azuis com livros, e no centro uma abertura para outra sala. Luiza tem cabelos lisos e ruivos em um coque no alto, com mechas laterais. Ela está de colant preto de mangas 3/4, calça de veludo bege cintilante e pés descalços. Enquanto canta, Luiza sinaliza em Libras. Crédito: Reprodução.


MPB, pop e folk são os universos por onde navega a cantora e compositora Luiza Caspary, que lançou neste mês Mergulho, seu segundo trabalho autoral.

Luiza também transita por outros espaços para buscar todas as formas de comunicação com o público, incluindo em seus projetos, desde a concepção, recursos de acessibilidade, nos vídeos e nos shows. É algo que todo artista do século 21 deve, ou precisa, fazer, mas poucos conseguem.

Para apresentar o novo trabalho, a artista lançou o vídeo Sinais, no qual ela canta e, ao mesmo tempo, interpreta a canção em Libras.

“Esse projeto de vídeo com a Língua Brasileira de Sinais foi muito diferente no meu trabalho. Eu quis sair do padrão da janela de Libras pequena, no canto da tela, como é habitual, e trazer para a frente da tela, com a mesma importância e evidência do artista e de sua voz”, explica Luiza.



“Essa é a forma de comunicar à comunidade surda o que a letra da música diz. Pode ser que algumas pessoas achem estranho, mas espero que isso chegue a todos da melhor forma possível. Foi feito com muito amor e carinho, muita pesquisa e muita gente”, comenta a cantora.

Em vídeos exclusivos gravados pela própria cantora para o #blogVencerLimites, com a participação de Naiane Olah na tradução para Libras, Luiza Caspary fala sobre acessibilidade na cultura, os desafios – inclusive financeiros – de incluir recursos nos vídeos e nos shows, além de analisar o cenário cultural voltado às pessoas com deficiência.


Luiz Caspary se apresenta e conta que acaba de lançar seu primeiro single do segundo disco. Ela está acompanhada por Naiane Olah, que faz a tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).


Vencer Limites – O que muda na sua relação com o público ao incluir acessibilidade nos vídeos e nos shows?

Luiza Caspary – A empatia e essa vontade em fazer com que meu trabalho chegue para todos causa uma aproximação muito grande com as pessoas que me acompanham. Ficamos muito próximos. Respondo a um por um e estou sempre aberta a receber dicas do público com deficiência para melhorar o uso dos recursos. É muito bom contar com eles, acabo chamando para trabalhar comigo. O público sem deficiência se sensibiliza e, olhando pra isso, lembra que essa parte da população existe e merece atenção.


Vencer Limites – O que perdem os artistas que não incluem acessibilidade em seus trabalhos?

Luiza Caspary – A principal função da arte é transmitir sensações, ideias e sentimentos. Não ter acessibilidade para compartilhar tudo isso é deixar de se comunicar com milhares de pessoas. E limitar o acesso ao seu trabalho. Todos perdem deixando de olhar para isso.


Vencer Limites – Cantar e fazer os sinais de Libras é uma proposta inovadora, mas que exige de você uma concentração muito maior. Como foi esse processo? Quais os desafios dessa dupla interpretação? Você faz isso nos shows?

Luiza Caspary – Sim, foi bem difícil cantar e me expressar em Libras simultaneamente, afinal são duas línguas, então precisei de muito treino, concentração e entrega.

Não sou fluente em Libras. Contei com duas intérpretes para fazer as traduções: Angela Russo e Naiane Olah. E também com duas consultoras surdas, que acompanharam as gravações: Maria Rita de Oliveira e Renta Lé.

Essa é a única música em que eu faço isso, as próximas serão com a Naiane interpretando Libras enquanto eu canto, mas nessa música ‘Sinais’ eu quis me colocar à prova. E foi um desafio que cumpri muito feliz.

É possível que eu interprete no show dessa forma sim, mas não o show inteiro, porque gosto muito de me movimentar no palco e, vez ou outra, toco violão ou outros instrumentos, o que ocupa minhas mãos.


Vencer Limites – Na sua avaliação, a promoção da acessibilidade deve ser uma iniciativa específica do artista?

Luiza Caspary – Boa pergunta. Eu sempre investi do próprio bolso para ter acessibilidade no meu trabalho, desde o show até os materiais que produzo para internet. E, como artista independente, não vou negar que é um custo alto.

Se houvesse uma conscientização de todos sobre a importância disso, seria muito mais fácil, mas acredito que sim, deve partir do artista a idéia.

Já ouvi relatos de festivais que ofereceram intérprete de Libras para todos os artistas. E um desses artistas se sentiu incomodado com a presença da intérprete no palco e pediu que ela saísse. Uma falta total de noção da importância e da função daquela intérprete.


Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a acessibilidade e a inclusão, de maneira geral, na cultura e no entretenimento?

Luiza Caspary – A grande questão é que a acessibilidade raramente é pensada junto com a criação e desenvolvimento de um projeto. É pensada de forma secundária, depois que tudo está pronto e, dessa forma, fica fria e apenas cumprindo um papel de lei.

A acessibilidade tem que, primeiramente, ser entendida como algo fundamental, como parte do acesso à cultura e à arte para todos. A iniciativa deve ser humana, antes de qualquer coisa.

De qualquer forma, o número de espetáculos e produções audiovisuais com acessibilidade não para de crescer. Eu – junto com minha mãe, Marcia Caspary – tenho uma empresa que desenvolve acessibilidade para outros artistas. E estamos com muitos projetos em andamento.


Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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