“A pandemia escancarou a importância da acessibilidade e da inclusão”

“A pandemia escancarou a importância da acessibilidade e da inclusão”

O #blogVencerLimites publica até o dia 31 de dezembro uma série de artigos exclusivos, escritos por convidados, sobre as expectativas para o ano de 2021. Leia o texto de Luiz Eduardo Pedroza, co-fundador da Audima.

Luiz Alexandre Souza Ventura

18 de dezembro de 2020 | 11h00

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Foto de Luiz Eduardo Pedroza, homem branco de 29 anos que tem cabelos pretos e curtos. Veste camisa preta, calça bege e tênis pretos. Está sentado em uma caixa de som e tem outra em seu lado direito. Está com os cotovelos apoiados nas pernas e as mãos unidas. O chão tem tacos de madeira e a parede ao fundo tem cor creme. Crédito: Reprodução.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Luiz Eduardo Pedroza, homem branco de 29 anos que tem cabelos pretos e curtos. Veste camisa preta e calça bege. Está sentado em uma caixa de som e tem outra em seu lado direito. Está com os cotovelos apoiados nas pernas e as mãos unidas. O chão tem tacos de madeira e a parede ao fundo tem cor creme. Crédito: Reprodução.


Artigo de Luiz Eduardo Pedroza*

A experiência que vivemos com a pandemia de covid-19 nos mostra que, para nos proteger, precisamos do outro. A principal defesa da humanidade contra a doença foi, e tem sido, a união de esforços. Ficou provado que a prevenção, seja por meio do distanciamento social ou pelo uso de máscaras, fortalece a segurança sanitária. O problema chegou para todos – não só os considerados grupos de risco -, trazendo com ele a consciência coletiva de que “talvez eu não precise, mas o meu semelhante sim”.

Lutar pela inclusão digital segue o mesmo princípio da prevenção na pandemia. Mesmo que você não tenha determinada característica ou necessidade, não deixa de ser sua responsabilidade garantir que os demais estejam em pé de igualdade com você. Assim como eu uso máscara para evitar que outros se contaminem pela covid-19, eu também tenho formas de promover a inclusão de alguém na internet, mesmo que eu não tenha essa necessidade.

O isolamento social fez com que grande parte da sociedade recorresse ainda mais à internet para se informar. Infelizmente, nem todos conseguem ler o que é publicado na web hoje em dia. Pessoas com deficiência, idosos, disléxicos, semianalfabetos e pessoas com vista cansada, por exemplo, são excluídas ou têm dificuldade para ler conteúdos escritos na rede. Em maior ou menor grau, estamos falando de milhões de pessoas que, diariamente, esbarram em obstáculos virtuais que os deixam em desvantagem. Isso porque apenas o pleno acesso à informação, somado à plena compreensão desse conteúdo gera autonomia e democratiza o ambiente virtual.

“Estamos falando de uma minoria”, alguns podem pensar. Porém, olhando para essas “minorias”, vemos que, na prática, são alguns dos maiores grupos demográficos do País: um em cada quatro brasileiros é analfabeto ou analfabeto funcional; os idosos já representam 13% da população e, até 2060, a projeção do IBGE aponta para mais idosos do que jovens; mais de 45 milhões de pessoas têm alguma deficiência no Brasil; e a vista cansada atinge 70% das pessoas com mais de 40 anos. Diante desses dados, caso não tenha lembrado de alguém próximo que se encaixe nesses perfis, então é possível que estejamos falando de você.

Quando falamos de inclusão na internet, estamos todos no mesmo barco. As três maiores causas de cegueira no mundo e no Brasil são doenças que acometem, sobretudo, os idosos: catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade. É uma questão de tempo, cedo ou tarde, todos precisaremos de algum recurso de acessibilidade. Seja uma rampa em um restaurante (essencial para o cadeirante, mas também para o idoso ou para um pai empurrando o carrinho de bebê), seja uma ferramenta de áudio em sites, que permite que um conteúdo escrito possa ser ouvido por pessoas com algum tipo de dificuldade de leitura (física ou cognitiva).

Com a pandemia, o consumo de conteúdo digital aumentou exponencialmente e as empresas que rapidamente entenderam a necessidade de seus clientes, especialmente aqueles que estavam excluídos de alguma forma, abriram oportunidades para novos negócios, se destacando das demais.

Nesse contexto, apesar de o tema diversidade ainda não ser priorizado no dia a dia de todas as empresas, observo que a pandemia escancarou a importância da acessibilidade e da inclusão. De fato, percebo uma maior receptividade ao tema, mas o desafio ainda é conscientizar as companhias de que o investimento em tecnologias e ações que facilitam a vida de populações excluídas é de extrema importância. É um trabalho contínuo fomentar a ideia de que a tecnologia não só pode, como deve ter o papel de incluir.

No fim das contas, essas empresas são criadas e dirigidas por pessoas. Busco me aproximar de líderes e equipes que acreditam que a empatia é o caminho a ser seguido. Sem demagogia e discurso vazio, estou falando de “mão na massa”, de mudança no discurso e nas relações com os colaboradores e clientes. Não à toa os grandes líderes de alto desempenho praticam a empatia e aplicam a chamada “tomada de perspectiva”. Em outras palavras, é o exercício de se colocar no lugar do outro e compreender as limitações que pode estar enfrentando.

São essas empresas geradoras de impacto social que já são e serão vistas de uma forma diferente no pós-pandemia. Movimentos sociais já nos provaram que a conscientização é um passo crucial para que ações práticas sejam tomadas e para que vejamos impactos reais na sociedade. É importante ficarmos atentos aos sinais: se você está ouvindo falar de inclusão e diversidade com mais frequência, acostume-se. É um caminho sem volta e estamos apenas começando.

*Luiz Eduardo Pedroza é co-fundador da Audima, startup de impacto social que torna possível ouvir o conteúdo publicado em websites, ampliando o acesso para pessoas com dificuldades de leitura.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais.


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