“A pandemia parece tão desigual quanto o acesso à tecnologia”

“A pandemia parece tão desigual quanto o acesso à tecnologia”

Iracema e Francisco Sogari comandam o Instituto Gabi, que atende 60 pessoas com deficiência intelectual na periferia da região sul de São Paulo. "As famílias têm celular, mas as tecnologias assistivas não estão disponíveis nas comunidades".

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de agosto de 2020 | 11h45


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Descrição da imagem #pracegover: Um jovem com síndrome de Down caminha pelo meio da rua em uma passeata. Ele tem pele morena, cabelos pretos e curtos, barba e bigode escuros, usa óculos, está sorrindo e olhando para a câmera. Tem o braço direto entrelaçado com o braço esquerdo de uma mulher que levanta um cartaz com a palavra ‘inclusão’. Crédito: Divulgação.


A dificuldade de acesso a recursos de tecnologia assistiva nas regiões periféricas de São Paulo é um obstáculo constante na rotina de Iracema e Francisco Sogari, fundadores do Instituto Gabi, que atende 60 pessoas com deficiência intelectual em bairros da zona sul, como Jardim Miriam, Americanópolis e nas comunidades do Complexo Alba, no Jabaquara.

O trabalho diário do Núcleo de Apoio à Inclusão (NAISPD), no contra turno educacional, para autonomia, inclusão e acompanhamento na escola e no mercado de trabalho, exige atividades presenciais, impossíveis durante a pandemia de covid-19 e as medidas de isolamento social para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“Tudo acontecia com muita assertividade até a pandemia”, conta Francisco. “Todos falam em ‘reinvenção’ ou migração para o universo digital, mas essa situação gerou uma dificuldade enorme, sobretudo em função das dificuldades de acesso a tecnologia e outros fatores”, explica Sogari.

“É comum ver as mães falando que seus filhos sabem a hora de sair para as atividades. E agora perguntam e perguntam”, comenta o coordenador. “É a realidade que percebemos na educação. As escolas públicas não têm os recursos e não conseguiram se adaptar com a mesma velocidade das privadas”, diz.


Descrição da imagem #pracegover: Cinco crianças com deficiência estão reunidas ao redor de uma mesa, segurando objetos coloridos. Em volta, duas paredes com vários desenhos e colagem sobre música. Crédito: Divulgação.


Francisco Sogari afirma que o instituto tem participado de muitos eventos online que discutem o atendimento a pessoas com deficiência neste período crítico.

“As organizações estão procurando estratégias, com muitas dificuldades. As familias que atendemos têm celular, mas nem todas têm equipamentos adequados para acompanhar e participar. As tecnologias assistivas, que se fala muito hoje, não estão disponíveis nas comunidades periféricas”, ressalta Sogari.

Para o fundador do Instituto Gabi, esse contexto reflete a realidade de um projeto social que promove a inclusão em um cenário de difícil transposição para o modelo digital ou a sua incorporação.

“O atendimento está comprometido e gera reflexos no desenvolvimento. O primeiro aspecto é a falta de interação e sociabilidade que o atendimento presencial proporciona. A descontinuidade, quebra da rotina que estão acostumados. A pandemia parece tão desigual quanto o acesso à tecnologia e vice-versa”, complementa.

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