“A surdez não define o surdo”

“A surdez não define o surdo”

Na semana de luta da pessoa com deficiência, o #blogVencerLimites publica uma série de artigos exclusivos, escritos por pessoas com e sem deficiência. O quarto texto, de Rosi Bertaglia, da Hand Talk, chama atenção para a importância dos recursos de acessibilidade, inclusive na internet, para pessoas com deficiência auditiva, principalmente para quem é surdo. O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é celebrado neste sábado, 21 de setembro.

Luiz Alexandre Souza Ventura

19 de setembro de 2019 | 11h02


Ouça essa reportagem com Audima no player acima ou acompanhe a tradução em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de Rosi Bertaglia, que tem pele morena, cabelos lisos, escuros e compridos. Está sorrindo e olhando para a câmera. Com a mão direita, faz o sinal ‘I love you’ na língua de sinais. Veste um casaco preto e uma camisa amarela, que tem a frase ‘Eu Amo Libras’. Crédito: Divulgação.


Para celebrar a semana de luta da pessoa com deficiência, o #blogVencerLimites publica uma série de artigos exclusivos, escritos por pessoa com e sem deficiência.

No quarto texto, Rosi Bertaglia, da Hand Talk, chama atenção para a importância dos recursos de acessibilidade, inclusive na internet, para pessoas com deficiência auditiva, principalmente para quem é surdo.

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, foi instituído em 1982 por iniciativa de movimentos sociais, liderados por Cândido Pinto de Melo, fundador do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), e oficializado pela Lei Nº 11.133, de 14 de julho de 2005.

A data foi escolhida para coincidir com o Dia da Árvore, representando o nascimento das reivindicações de cidadania e participação em igualdade de condições.

Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), e o Protocolo Facultativo, documento equivalente à emenda constitucional. A convenção é base do texto da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Nº 13.146/2015).



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Mais do que uma comemoração, um momento de reflexão

por Rosi Bertaglia*

Em 21 de setembro é celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data foi instituída por meio da Lei Federal nº 11.133/2005, através da ação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), para a conscientizar a população sobre a importância da criação de meios de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.

Grandes conquistas já foram alcançadas ao longo dos anos, mas ainda há muito o que fazer.

Além desse dia de celebração, o mês de setembro é marcado por diversas datas importantes para a comunidade surda, sendo conhecido como Setembro Azul, ou mês dos surdos.

De acordo com último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2010), existem mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil e entre elas estão quase 10 milhões de pessoas com deficiência auditivas.

Muita gente, você não acha?

Mesmo representando uma grande parcela da nossa população, os surdos não estão inseridos em vários contextos. Um estudo da WFD (World Federation of the Deaf), a Federação Mundial dos Surdos, mostrou que 80% dos surdos no mundo têm dificuldades com as línguas escritas. Eles vivem como estrangeiros no próprio país, já que a maioria dos ouvintes não sabe se comunicar através das Línguas de Sinais.

No Brasil a situação não é diferente. Grande parte dos surdos não tem uma boa compreensão do português, ou seja, não entendem ou têm dificuldades para ler e escrever, sendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras) sua primeira língua.

Agora que você sabe de tudo isso, imagine como é o dia a dia de uma pessoa surda num lugar sem acessibilidade em Libras? Situações corriqueiras como ir ao banco, a uma consulta médica, interfonar no condomínio de um amigo ou fazer uma ligação para o suporte técnico da companhia de internet são desafiadoras, tornando necessária a presença de um intérprete de Libras para intermediar a comunicação.

E quando pensamos em acessibilidade digital? Com o avanço da tecnologia e a chegada da internet, a comunicação passou a sofrer cada vez menos interferência, com a facilidade de acesso e profundidade em diversos conteúdos.

A questão é que, para os surdos, ainda estamos engatinhando nesse quesito. Mesmo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Nº 13.146/2015) – que garante o acesso à informação e a comunicação das pessoas com deficiência, e contemplando em seu artigo 63° o acesso à comunicação também através da internet -, apenas 2% dos sites brasileiros podem ser considerados acessíveis para essas pessoas.

Considerando que, no Brasil, passamos mais de nove horas conectados todos os dias, as opções para esse público são limitadíssimas.

Um boa forma de começar a quebrar essas barreiras é entender que a acessibilidade digital não beneficia apenas as pessoas com deficiência. Ela proporciona uma série de vantagens para quem a adota, como maior valor agregado às marcas, melhorias de performance e de usabilidade em sites, ampliação e diversificação de público, fidelização de usuários, maior visibilidade em buscadores, aumento de compatibilidade com todos os dispositivos e o mais importante: promove o cumprimento da lei.

Nós, como parte da sociedade, devemos acompanhar mais de perto o que tem sido feito. Devemos praticar a empatia. Por mais que seja uma palavra que você já deve estar cansado de ver por aí, se colocar no lugar do outro, respeitando seus interesses e desejos, é o caminho para um mundo mais inclusivo e justo.

O lema ‘nada sobre nós sem nós’, adotado pelas pessoas com deficiência para afirmar que nenhuma decisão que as afete deveria ser tomada sem sua participação, deve ser refletido sempre.

Como é possível fazer algo em benefício do outro sem o envolver ou saber o que ele realmente precisa? Se você deseja entender melhor o universo de uma pessoa surda, esteja próximo de uma: visite associações de surdos da sua cidade, estude a Língua Brasileira de Sinais, conheça suas histórias.

A série de vídeos com o tema #VocêEscuta? mostra histórias inspiradoras de surdos conscientizando as pessoas de que a surdez não define quem os surdos são, nem os limitam. Ações como essa dão mais visibilidade ao que muitas vezes não é percebido.

E você, qual passo quer dar hoje para um mundo mais acessível?

*Rosineide Lima Bertaglia é analista de marketing de conteúdo da Hand Talk.

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