
O fotógrafo João Maia, que tem baixa visão, acompanhou presencialmente os Jogos Paralímpicos do Japão, em Tóquio, como embaixador da Fundação Dorina Nowill para Cegos. Sua missão, além de registrar momentos das competições, era conhecer a cultura local, principalmente a maneira como pessoas com deficiência são tratadas pelo poder público e pela população.
"O que chama atenção é a acessibilidade atitudinal, o comportamento coletivo. Encontramos muita gente disposta a ajudar. Separamos um dia para passear em alguns pontos turísticos e, quando estávamos perdidos, alguém nos guiava. Muitos japoneses não falam inglês, mas estão sempre dispostos a auxiliar as pessoas com deficiência", conta o fotógrafo.
João lembra que foi fácil localizar pontos com acessibilidade física, mas ainda há coisas feitas sem pensar no uso pela população com deficiência.
"Não há prioridade, por exemplo, nas filas de supermercado ou outros estabelecimentos. Ônibus, por sua vez, têm assentos reservados. Existem semáforos sonoros somente nos principais cruzamentos", detalha João.
"Os banheiros são tecnológicos, com muitos recursos, como duchas, chuveirinho e ar quente. Em todos, de diversos locais, é possível encontrar assentos com esses comandos e botões com Braille", descreve.
"Algumas portas dos banheiros têm recursos sonoros, se parecem com elevadores. Além disso, essas portas 'falam' quando estão sendo abertas e fechadas. Também encontramos pias adaptadas para cadeirantes e pessoas com nanismo", relata o fotógrafo.

Dificuldades - João Maia explica que, antes de viajar, recebeu muitas informações sobre a abrangência de pisos táteis no Japão. "Não estão disponíveis em todos os locais, assim como pisos de direção ou de alerta. Havia esse recurso no metrô, mas não no hotel onde fiquei hospedado", diz.
"No hotel também não havia nenhuma informação ou descrição em Braille ou em relevo nas portas dos quartos, nem cardápios em Braille. Então, embora exista acessibilidade, esses recursos não são encontrados em todos os locais", comenta João.

Aprendizados - João Maia ressalta a importância se sempre refletir sobre a acessibilidade. "No Brasil, a pessoa com deficiência tem acessos garantidos por lei, como a gratuidade no transporte público. No Japão, isso não é de graça, é cobrada uma tarifa percentual em ônibus, metrô e trens", explica.
"No Japão, a pessoa com deficiência tem incentivos e descontos para comprar equipamentos. No Brasil também. Precisamos considerar os pontos positivos de cada país", afirma.
Educação - "Aqui no Brasil temos escolas especializadas. No Japão também mas lá existem faculdades, cursos superiores ou tecnólogos direcionadas à pessoa com deficiência. Além disso, existe uma lei japonesa que garante ao aluno com deficiência frequentar qualquer escola. Sei que aqui no Brasil também temos conquistas maravilhosas", pontua o fotógrafo
"Não existe sociedade perfeita. Na verdade, é importante evoluir, aprender e olhar as pessoas com deficiência de outra forma", completa João Maia, que comanda o projeto Fotografia Cega e se virou fotógrafo somente após se tornar uma pessoa com deficiência visual.









