Acessibilidade e o mau exemplo nos tribunais de NY

Acessibilidade e o mau exemplo nos tribunais de NY

Relatório divulgado nesta terça-feira, 24, é inédito e mostra como a falta de conhecimento sobre as reais necessidades de pessoas com deficiência também é presente em países desenvolvidos. O estudo avaliou 30 prédios da cidade e foi conduzido pelo New York Lawyers for the Public Interest.

Luiz Alexandre Souza Ventura

24 Março 2015 | 13h29

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

New York Lawyers for the Public Interest divulgou relatório de 20 páginas. Foto: Reprodução

New York Lawyers for the Public Interest divulgou relatório de 20 páginas. Foto: Reprodução

Tribunais de Nova Yorque (EUA) precisam de muitas modificações para receber pessoas com deficiência. É a conclusão de um relatório de 20 páginas divulgado nesta terça-feira, 24, pela New York Lawyers for the Public Interest. “Descobrimos que a única maneira para uma pessoa com deficiência acessar um tribunal é por meio de um arranjo improvisado que atrai negativamente a atenção para sua deficiência”, disse Navin Pant, co-autor do documento.

Segundo o estudo, em Manhattan, por exemplo, agentes penitenciários precisam carregar pelas escadas detentos em cadeiras de rodas para andares abaixo do nível principal. Em Staten Island, espaços improvisados foram criados porque não há elevadores para transportar pessoas com deficiência ao local correto. “As injustiças são encontrados em todas as formas e se somam a uma negação da igualdade de acesso”, afirma Pant.

Ron Younkins, diretor-executivo do Unified Court System, afirma que o tribunal de Staten Island, onde as audiências de improviso para os réus em cadeiras de rodas são feitas desde a década de 1930, está programado para ser fechado no próximo mês. Segundo Younkins, os trabalhos serão transferidos para instalações recém-construídas nas proximidades pela agência Americans with Disabilities Act (ADA), ligada ao departamento de direitos humanos. “Nós levamos isso muito a sério, não só porque é uma questão legal, mas porque é uma questão de justiça”, disse.

O relatório, que revisou dez dos 30 tribunais da cidade, em todos os cinco distritos, é o primeiro a lançar um olhar mais abrangente sobre acessibilidade em tribunais no país. Um comitê do bairro de Queens vai promover uma audiência de supervisão sobre o assunto e trabalha para introduzir uma legislação que exigiria auditoria anual sobre acessibilidade nos tribunais destacados no documento.

Em Nova York, os tribunais são mantidos e operados por várias agências governamentais. Alguns prédios tem mais de 100 anos de idade, algo que dificulta qualquer reforma. Entre 2000 e 2010, oito novos tribunais foram construídos. A Prefeitura afirma que as autoridades estão totalmente comprometidas em fornecer a todos os nova-iorquinos acesso total às instalações da cidade.

Carregado – Jose Morales tem 48 ??anos, é paraplégico, e contou por telefone que, há dois anos, foi carregado por dois lances de escada no Tribunal Criminal de Manhattan porque os elevadores não estavam funcionando. “Se os elevadores não estão funcionando, a única forma de locomoção é carregado. Era perigoso”, disse Morales, que está detido sob a acusação de porte de drogas.

Com informações da Associated Press e do New York Times.

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