Acessibilidade na periferia de São Paulo

Acessibilidade na periferia de São Paulo

Moradores de Cidade de Tiradentes, na zona leste da capital paulista, destacam problemas como ausência de sinalização adequada, falta de semáforos acessíveis, manutenção precária nas calçadas e rampas irregulares. Encontro nesta quarta-feira, 23, debate a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente familiar. Confira na reportagem uma galeria de imagens do bairro feitas pelo fotógrafo Carlos Goff.

Luiz Alexandre Souza Ventura

22 Agosto 2017 | 14h00


Levar acessibilidade a todos os bairros de qualquer cidade é um desafio que exige comprometimento do poder público e uso correto dos recursos que garantam aos moradores conforto e segurança para ir e vir. Em São Paulo, essa realidade é multiplicada pelo tamanho da metrópole, que abriga mais de 2.7 milhões de pessoas com deficiência.

Assuntos relacionados ao universo da pessoa com deficiência serão discutidos nesta quarta-feira, 23, no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT), a partir das 10h. Com o tema ‘A pessoa com deficiência e sua família’, o ‘Café com Direitos’ pretende dialogar sobre a inclusão dentro de casa, com troca de experiências para incentivar a reflexão sobre os desafios na busca pela garantia de direitos. O evento é mensal e aborda temáticas que favoreçam a promoção e a defesa de direitos da população da zona leste da capital paulista.


“É muito ruim. As rampas são mal feitas. E não há sinalização no chão, piso tátil, semáforos sonoros e outros recursos. Muitas vezes preciso andar pela rua”, diz Galdino Oliveira Teixeira, de 70 anos, morador de Cidade Tiradentes desde 1989.

“Parece que os responsáveis não fiscalizam. Entregam os projetos nas mãos de terceiros e jamais visitam os locais para verificar o que foi feito”, diz o Oliveira, que usa a cadeira de rodas há dez anos.



Recursos de acessibilidade beneficiam muito mais do que pessoas com deficiência. Devem atender toda a população. E, muitas vezes, passamos a observar esse detalhe somente quando precisamos usar.

“Meu olhar para a acessibilidade aumentou. Eu não imaginava a dificuldade que as pessoas com cadeira de rodas enfrentam”, diz Antonia Aurilene Gomes de Araújo Santos, de 40 anos, mãe do menino Luiz Miguel, de 5 anos, diagnosticado recentemente com autismo. “Não há rampas na calçadas, nem mesmo nos pontos de ônibus, um lugar que precisa muito desse recurso. Para quem tem deficiência visual, falta piso tátil. Eu, por exemplo, jamais havia pensado em como é importante a presença de um semáforo com áudio nas cidades”.




“Temos intensificado, com as demais secretarias municipais, o trabalho de interlocução sistemática com as prefeituras regionais para conhecer a fundo as expectativas e necessidades da população com relação a acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência”, afirma Cid Torquato, secretário da pessoa com deficiência de São Paulo, que participa da atividade desta quarta-feira, junto com Marinalva da Silva Cruz, secretária adjunta, e Tuca Munhoz, assessor técnico da SPTrans. O encontro terá interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

A reunião será na Biblioteca Temática em Direitos Humanos Maria Firmina dos Reis, no andar térreo do Centro de Formação Cultural, que fica na Avenida Inácio Monteiro, nº 6.900, na esquina com a Rua Alexandre Davidenko. A entrada é livre.

“O evento traduz nossa atuação transversal e parecerias com as outras pastas – no caso Trabalho, Cultura e Direitos Humanos -, bem como nossa obrigação de levar os serviços e políticas públicas municipais em prol das pessoas com deficiência, principalmente às regiões e bairros mais carentes de nossa cidade”, ressalta Torquato.

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