“Acessibilidade não é um benefício, é uma necessidade”

“Acessibilidade não é um benefício, é uma necessidade”

Em seis anos dedicados ao pararemo, Geovani de Pinho conquistou muitos títulos. E a preparação para os Jogos Paralímpicos segue forte, mesmo com a divisão de tempo entre o esporte a profissão de cabeleireiro. "Se eu pudesse viver do remo, chegaria ao pódio de grandes competições", diz o atleta que conseguiu recentemente o primeiro patrocínio.

Luiz Alexandre Souza Ventura

15 de fevereiro de 2016 | 10h30

“Sempre fui competitivo”, diz Geovani. Foto: Divulgação

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Geovani de Pinho tem 37 anos e descobriu ao pararemo há seis anos, quando conheceu um programa de remo adaptável em Florianópolis (SC). Na infância, ele percebeu que seu corpo não funcionava como o esperado.

“Entre 5 e 6 anos, comecei a sentir fortes dores nas pernas, por causa de uma doença degenerativa que me obrigava a ficar dias deitado”, conta. E era no futebol que ele vencia a sede por competições e alimentava seu interesse pela atividade esportiva. “Ainda novo, fui convidado para treinar na escolinha do Avaí, como goleiro”, diz.

Mesmo dividindo seu tempo entre o esporte a profissão de cebeleireiro, Geonavi foi vice-campeão brasileiro e campeão brasileiro indoor, ambos em 2011. No ano seguinte, chegou ao título de campeão brasileiro e de vice-campeão mundial indoor (Boston – EUA).

Em 2013, foi novamente campeão brasileiro indoor e conquistou ainda o vice-campeonato brasileiro barco misto double. Em 2014, levou a medalha de bronze no mundial indoor (Boston – EUA). No ano passado, ganhou mais uma vez a medalha de bronze na Copa da Itália (Gavirate). Além de já ter sido convocado cinco vezes para as seletivas da Confederação Brasileira de Remo (CBR).

“Se eu pudesse viver do remo, chegaria ao pódio de grandes competições”, diz o atleta. Foto: Divulgação

“No ranking para as paralimpíadas concorrem sete atletas e há somente um brasileiro na minha frente. Ele tem patrocínio de empresas e do clube. Vive do remo. Se eu também pudesse viver do remo, conseguiria chegar ao pódio de grandes competições porque o meu foco seria todo no esporte. Infelizmente ainda não é possível”, diz o atleta, que conseguiu recentemente o patrocínio da Flex, empresa de Florianópolis que presta serviços de atendimento, vendas e análise para concessão de credito e cobrança.

“As empresas privadas devem acreditar no esporte. Com o patrocínio, consigo pagar um plano de saúde, ter suplementação e alimentação adequadas, além de ajuda para locomoção e outros detalhes que sempre saíram do meu bolso”, diz.

“É preciso elogiar também os clubes de remo, porque eles dão suporte ao paratleta, mesmo sem receber incentivos, fazendo adaptações nos barcos e nas rampas. Acredito que o investimento do governo ainda está muito aquém do que deveria ser. As paralimpíadas trazem muito mais resultados, em termos de colocação no ranking e medalhas, do que as olimpíadas. Falta investimento em logística, condições de locomoção, em aparelhos adaptados”, ressalta Geovani.

Para Geovani, o brasileiro precisa entender que acessibilidade não é um benefício, mas uma necessidade. “A pessoa com deficiência é somente alguém que tem necessidades específicas e, nos países que conheci por causa das competições, todos entendem isso perfeitamente. Aqui no Brasil ainda não é assim e falta muito para ser”.

Em 2013, Geovani foi campeão brasileiro indoor e conquistou ainda o vice-campeonato brasileiro barco misto double. Foto: Divulgação

Em 2013, Geovani foi campeão brasileiro indoor e conquistou ainda o vice-campeonato brasileiro barco misto double. Foto: Divulgação

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