Acidentes de trânsito deixam 3 milhões de pessoas com deficiências em 10 anos

Em uma década, seguro DPVAT pagou 4,5 milhões de indenizações, 75% para ocorrências com motocicletas. Quase 900 mil indenizados são pedestres. Falta de uso dos equipamentos de segurança é um dos principais motivos, além da velocidade acima do permitido, desrespeito à sinalização e a combinação de álcool e direção. Somente no primeiro semestre deste ano, mais de 155 mil indenizações foram pagas, 103 mil para pessoas que ficaram com deficiências permanentes.

Luiz Alexandre Souza Ventura

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Descrição da imagem #pracegover: Melina Reis executa um movimento de balé enquanto apoia as mãos em uma barra. Destaque para a prótese em sua perna esquerda. Ela veste roupa azul e branca. Crédito: Divulgação.


Melina Reis é a primeira bailarina do mundo a usar uma prótese desenvolvida especificamente para essa atividade. Ainda muito jovem, quando guiava sua motocicleta, foi atingida por um carro e teve fratura exposta na perna esquerda. Após anos de tratamento, com o agravamento de seu quadro de saúde, decidiu pela amputação de parte do membro, o que salvou sua vida.

A dançarina faz parte de uma estatística que chama atenção no País. Nos últimos 10 anos, o Seguro DPVAT pagou 4,5 milhões de indenizações a vítimas de acidentes de trânsito em todo o território nacional. Deste total, 3,2 milhões foram para pessoas que ficaram com deficiências permanentes, sendo que 75% dos indenizados (2,5 milhões de pessoas) estiveram envolvidos em ocorrências com motocicletas.

Somente no primeiro semestre deste ano, mais de 155 mil indenizações foram pagas, 103 mil para pessoas que ficaram com deficiências permanentes.

“Estudos mostram que a falta do uso dos equipamentos de segurança é um dos principais motivos dos acidentes”, diz Arthur Froes, superintendente da Seguradora Líder-DPVAT, que administra o chamado ‘seguro obrigatório’, o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres.

Outras causas, aponta Froes, estão relacionadas à falha humana, como velocidade acima do permitido, desrespeito à sinalização e à fiscalização das vias; e combinação de álcool e direção.

“Tudo isso torna os acidentes de trânsito mais graves e acentua ainda mais as sequelas nas vítimas, principalmente quando o veículo usado é a motocicleta”, comenta o especialista.


Descrição da imagem #pracegover: Vários carros enfileirados em uma via pública. Crédito: Divulgação.


Minas Gerais (347 mil), São Paulo (333 mil) e Ceará (330 mil) são os estados que registraram mais indenizações. De acordo com os dados do DPVAT, de 2009 a 2018, entre as pessoas que adquiriram deficiências após acidentes de trânsito, a maioria do sexo masculino, quase 2 milhões eram motoristas e 806 mil eram pedestres.

Jovens entre 18 e 34 anos foram os mais atingidos, totalizando 2,2 milhões de indenizados. Desse grupo, 1,7 milhão ficaram com deficiência permanente. “Esse dado ressalta o impacto gerado na economia do País, porque esses jovens deveriam estar inseridos no mercado de trabalho, acabam afastados”, ressalta Arthur Froes.


Descrição da imagem #pracegover: Sala de aula do curso de capacitação do Programa Recomeço. Crédito: Divulgação.


Há um ano, a Seguradora Líder-DPVAT criou o Programa Recomeço para ajudar beneficiários na busca por trabalho. O projeto tem parceria com 32 empresas e já já formou duas turmas em cursos de qualificação profissional no setor de Seguros, com aulas ministradas pela Escola Nacional de Seguros (ENS).

DPVAT é um seguro obrigatório de caráter social que protege os mais de 209 milhões de brasileiros em casos de acidentes de trânsito, sem apuração da culpa. Pode ser destinado a qualquer cidadão acidentado em território nacional, seja motorista, passageiro ou pedestre, e oferece três tipos de coberturas: morte (valor de R$ 13.500), invalidez permanente (de R$ 135 a R$ 13.500) e reembolso de despesas médicas e suplementares (até R$ 2.700). A proteção é assegurada por um período de até 3 anos.

Dos recursos arrecadados pelo seguro obrigatório, 50% vão para a União, sendo 45% para o Sistema Único de Saúde (SUS) para custeio da assistência médico-hospitalar às vítimas de acidentes de trânsito, e 5% são para o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), para investimento em programas de educação e prevenção de acidentes de trânsito. Os outros 50% são direcionados para despesas, reservas e pagamento de indenizações.

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