Algumas palavras sobre a campanha ‘Somos Todos Paralímpicos’

Algumas palavras sobre a campanha ‘Somos Todos Paralímpicos’

Trata-se somente de mais um erro clássico, cometido por quem pode saber muito sobre publicidade, mas desconhece como apresentar corretamente o universo da pessoa com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

24 de agosto de 2016 | 15h16

Está instalada a polêmica. O projeto criado pela agência África para atrair visibilidade aos Jogos Paralímpicos atingiu sua meta. Mas o objetivo foi alcançado a partir de um erro, de um tropeço, de uma lambança.

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Na verdade, trata-se somente de mais um erro clássico, cometido por quem pode saber muito sobre publicidade, mas desconhece como apresentar corretamente o universo da pessoa com deficiência.

A pergunta mais justa neste caso já foi feita. Por que não usar os paratletas ao invés de criar deficiência em quem não tem? Certamente, seria o mais acertado.

Cléo Pires e Paulo Vilhena são Embaixadores Paralímpicos (juntos com José Victor Oliva) e emprestam rosto, corpo e fama à causa, ajudam a divulgar os Jogos. Os três participaram da cerimônia de convocação e apresentação da delegação paralímpica.

Todas as ações que joguem luz no evento devem ser avaliadas positivamente. E essa campanha divulgada na Vogue deve servir de ensinamento ao setor editorial/publicitário.

Vocês não precisam disfarçar pessoas com deficiência, não precisam alinhá-las às pessoas ‘sem deficiência’, não precisam ‘criar’ amputações em quem não é amputado, não precisam maquiar, esfumaçar ou aplicar qualquer outro efeito melhorador.

É muito mais simples. Apresentem pessoas com deficiência, atletas com deficiência, cidadãos com deficiência da forma mais real possível, do jeito correto. Mostre-os como são.

O Brasil será representado por 278 atletas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, com chances reais de conquistar muitas medalhas. E cada um desses competidores é personagem real, com histórias, imagens e possibilidades de estrelar campanhas em qualquer mídia.

Façam como o filósofo. Aceitem que somos todos eternos aprendizes. E usem essa trapalhada para acertar na próxima.

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