Aplicativo ajuda fonoaudiólogos na oralização de surdos

Aplicativo ajuda fonoaudiólogos na oralização de surdos

Luiz Alexandre Souza Ventura

09 Dezembro 2013 | 14h27

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

A aplicação da tecnologia em ferramentas de acessibilidade proporciona a pessoas com deficiência mais qualidade de vida e ajuda a criar possibilidades. Essa realidade ganhou mais força com o crescimento dos investimentos em comunicação e mobilidade. Situação que mostra os caminhos a serem abertos por meio de equipamentos e softwares.

Um exemplo de sucesso dessa nova realidade é o ProDeaf Móvel, aplicativo que traduz palavras em português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Vencedor do Prêmio Anuário Tele.Sintese de Inovação em Comunicações, o app – que será apresentado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge (EUA), em 2014 – tem sido usado para melhorar a comunicação entre médicos e pacientes com deficiência auditiva. Além disso, é cada vez mais aplicado em tratamentos de fonoaudiologia para processos de oralização.

“Uso para treinar a minha voz e tentar pronunciar as palavras da forma mais correta possível”, afirma Daniel Kruschewsky Margotto, que nasceu surdo e frequenta sessões de fonoaudiologia desde criança. Hoje com 25 anos, ele é formado em Análise de Sistemas e está quase 100% oralizado.

“Funciona como elemento de ajuda terapêutica. Ao trabalhar a linguagem, você estimula a oralização”, afirma a fonoaudióloga Nailma Arraes, responsável atual pelo tratamento de Daniel Margotto.

Dificuldades – Somente que convive com deficiências sabe como essa característica pode criar obstáculos em procedimentos simples do dia a dia. “Certa vez, quando fui fazer uma ressonância, os atendentes da instituição de saúde não estavam seguros o suficiente para me recepcionar”, conta Sylvia Lia Grespan Neves, professora de Libras da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Para ela, há uma grande dificuldade para os não ouvintes no Brasil, principalmente pela falta de preparo de profissionais dos serviços básicos, que desconhecem totalmente a língua de sinais. “Nós, os surdos, percebemos que há uma carência de pessoas bilíngues. Por isso, as empresas empresas precisam contratar intérpretes”.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem aproximadamente 10 milhões de cidadãos surdos. E, de acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia, a cada mil crianças que nascem no País, entre três e cinco delas têm algum tipo de deficiência auditiva.

A otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães explica que, além da ausência completa da audição, a diminuição considerável do sentido também é considerada surdez. “Há diversos tratamentos e recursos para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com a perda auditiva. E a tecnologia é uma grande aliada na comunicação entre surdos e ouvintes. Existem não ouvintes que não querem participar do ‘mundo’ dos ouvintes e se comunicam exclusivamente pela Libras, mas muitos ouvintes não conhecem a língua de sinais e o aplicativo pode ser uma boa solução para essas pessoas se comunicarem”.

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