Apoio à longevidade da pessoa com deficiência

Apoio à longevidade da pessoa com deficiência

Apae de São Paulo reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para debater o envelhecimento das pessoas com deficiência intelectual. Família e comunidade não estão preparadas para cuidar dessas pessoas. E não há garantias de que o Estado irá suprir as demandas dessa população na ausência dos pais ou cuidadores. Nesta terça-feira, 1 de outubro, celebramos o Dia Internacional do Idoso.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de outubro de 2019 | 15h15


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Descrição da imagem #pracegover: Homem e mulher, ambos com deficiência intelectual, estão lado a lado, fazendo exercícios físicos. Cada um tem pesos de cor amarela nas mãos. Crédito: Divulgação / Apae de São Paulo.


“Precisamos ampliar a capacidade de apoio às pessoas com deficiência intelectual em fase de envelhecimento, criar políticas públicas e alternativas que contemplem pessoas, famílias, cuidadores e comunidade. O Brasil precisa criar soluções para promover apoio a pessoas com deficiência intelectual em processo de envelhecimento”, afirma Leila Castro, especialista em envelhecimento da Apae de São Paulo.

Essa é uma das conclusões do ‘I Seminário Internacional sobre o Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual’, organizado em setembro pela Apae de São Paulo, que reuniu palestrantes do Brasil, Estados Unidos e Espanha.

“Pessoas com deficiência intelectual estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida, em razão, principalmente, das políticas de inclusão social e do acesso a terapias de estimulação e habilitação”, diz Leila.

“Pesquisadores mostram que, muitas vezes, as famílias e a comunidade não estão preparadas para encarar os desafios de cuidar de pessoas com deficiência intelectual em processo de envelhecimento”, diz. “Além disso, ainda não há garantias de que o Estado irá suprir as demandas dessa população na ausência dos pais ou cuidadores”, alerta a especialista.

De acordo com Leila Castro, é urgente a criação de bases sólidas de apoio, promoção de saúde e inclusão social das pessoas com deficiência intelectual, para promover autonomia e qualidade de vida. “É preciso também que a comunidade esteja mais preparada para lidar com a deficiência”, ressalta.


Descrição da imagem #pracegover: Palestrantes do ‘I Seminário Internacional sobre o Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual’. Crédito: Divulgação / Apae de São Paulo.


POPULAÇÃO EM CRESCIMENTO – O Brasil tem aproximadamente 2,6 milhões de pessoas com deficiência intelectual, 537 mil com mais de 60 anos. Até 2050, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros com e sem deficiência que terão 60 anos ou mais deve chegar a 74,6 milhões.

O estudo SABE (Saúde, Bem Estar e Envelhecimento) de 2005 mostrou que a população acima dos 60 anos já demonstrava níveis significativos de fragilidades em suas condições de vida e saúde. Esse cenário, em 2019, destaca famílias que não conseguem suprir mais do que 50% dessas demandas.

Ainda não temos políticas públicas que garantam esses apoios. Em outras nações mais desenvolvidas – Estados Unidos, Espanha, Portugal, Austrália, Irlanda e Reino Unido -, as ações voltadas aos cuidados de longa duração e de apoio social à população idosa são compartilhadas por Estado, família e sociedade.

“Com as discussões trazidas nesse seminário, poderemos, ao longo do tempo, ampliar a capacidade de apoio às pessoas com deficiência intelectual em fase de envelhecimento. Nosso objetivo é incidir na criação de políticas públicas e de alternativas que contemplem essas pessoas, as famílias, os cuidadores e a comunidade. O Brasil precisa criar soluções para promover apoio a pessoas com deficiência intelectual em processo de envelhecimento”, completa Leila Castro.


Descrição da imagem #pracegover: Idoso com deficiência intelectual faz exercício em um aparelho de musculação. Crédito: Divulgação / Apae de São Paulo.


O Dia Internacional do Idoso, celebrado nesta terça-feira, 1 de outubro, foi instituído em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar a sociedade sobre as questões do envelhecimento e da necessidade de proteger e cuidar a população mais idosa. Também fortalece a importância do carinho aos idosos, muitas vezes esquecidos pela sociedade e pela própria família.

No Brasil, 51 milhões de habitantes já passaram dos 50 anos. Desse total, 86% mantêm independência financeira, mas 45% dos integrantes desse grupo afirmam ter dificuldade em encontrar produtos e serviços adequados a seus hábitos e aspirações.

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