Artista brasileira que pinta com os pés e a boca é destaque em bienal na Polônia

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Artista brasileira que pinta com os pés e a boca é destaque em bienal na Polônia

Quadro de Maria Goret Chagas foi selecionando entre obras de todo o mundo para mostra no Museu Nacional de Cracóvia. Tela em acrílica, pintada em 2011, já esteve exposta no Museu do Louvre, em Paris. Pintora nasceu tetraplégica e começou a andar aos 5 anos durante uma procissão do Divino Espírito Santo. "Minhas memórias de infância não são de brinquedos, são de lápis de cor", diz.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 de julho de 2020 | 14h40


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Descrição da imagem #pracegover: Foto de Maria Goret Chagas no Museu do Louvre, em Paris. A artista de 69 anos tem cabelos curtos e pretos, usa óculos, veste casaco escuro, está sorrindo e olhando para a câmera. Ao fundo, duas telas da pintora fixadas em uma parede escura. A tela à esquerda, ‘Arranjo de Flores’, foi selecionada para a bienal de Cracóvia, na Polônia. Crédito: Aquivo Pessoal / Maria Goret Chagas.


A tela em acrílica ‘Arranjo de Flores’, da artista plástica brasileira Maria Goret Chagas, pintora com os pés e a boca, foi selecionada para a ’16a Bienal Internacional de Artistas com Deficiência’, em Cracóvia, na Polônia. No total, 733 trabalhos de todo o mundo estavam inscritos na exposição e 100 participam do evento, a partir de 21 de setembro, na Galeria da Arte Polonesa do Século XIX, no Salão de Pano (Sukiennice), filial do Museu Nacional. Goret é a única do Brasil na mostra.

Maria Goret Chagas tem 69 anos. Nasceu em Delfinópolis (MG), tetraplégica, e começou a andar aos 5 anos, no meio da procissão do Divino Espírito Santo.

“Tive uma febre muito forte durante três dias e falei para minha mãe que eu começaria a andar ou morreria”, conta Goret. “Eu, com 5 anos, insisti para ir à procissão e consegui, na birra, convencer minha mãe a me levar. Uma cuidadora, que se chamava Auxiliadora, foi junto para me carregar. No meio da caminhada, dei um grito e comecei a andar”, relata a artista. “Eu considero o milagre da minha vida, um intervenção divina”, afirma Goret.

A pintora mora em Franca, no interior de SP, há 58 anos. Desenha e pinta com os pés e a boca desde criança. “Lembro de ficar desenhando com os pés no balcão de uma loja que meu pai tinha na época. Minhas memórias de infância não são de brinquedos, são de lápis de cor”, diz.

Após ser alfabetizada em casa, Goret passou a frequentar uma escola regular e foi incentivada por uma professora a também usar a boca para escrever. Na adolescência, já se dedicava integralmente à pintura. Fez faculdade de Letras e de Educação Artística, se tornando profissional.


Descrição da imagem #pracegover: Quadro ‘Arranjo de Flores’, de Maria Goret Chagas, escolhido para a bienal no Museu Nacional de Cracóvia, pintado em acrílica em 2011. Crédito: Aquivo Pessoal / Maria Goret Chagas.


Goret faz parte há 15 anos da Associação Brasileira de Pintores com os Pés e a Boca (ABPB/Brasil), que tem 53 integrantes e está ligada à VDMFK (Vereinigung der Mund- und Fussmalenden Künstler in aller Welt, e. V.) ou Association of Mouth and Foot Paiting Artists of The World (AMFPA), com sede em Shaan, no principado de Liechtenstein, no centro da Europa. A instituição mundial está presente em 70 países.

Até 2018, Goret era bolsista. Em 2019, foi nomeada membro associada nas duas instituições. Isso significa que seu trabalho tem a mesma qualidade e competitividade das obras de artistas sem deficiência.

As duas associações são corporativas – não são filantrópicas, beneficentes ou sem fins lucrativos – e pagam remuneração mensal aos integrantes. A renda é obtida com a venda de cartões e calendários, criados a partir das obras dos integrantes. A instituição mundial define as regras que devem ser seguidas pelas 70 filiais.

Viver da arte – Qualquer artista que perdeu o uso das mãos e pinta segurando o pincel com a boca ou com os pés pode fazer parte das duas associações, brasileira e internacional. A maioria entra como bolsista, recebe subsídios para pagar aulas de pintura, materiais de arte e outros custos.

As associações fazem constantes avaliações para definir quem pode se tornar membro associado e membro efetivo. Os trabalhos dos bolsitas são periodicamente revisados por um júri, até atingir padrão para que os artistas sejam aceitos como efetivos.

O júri inclui o presidente da associação, ou seu representante nomeado, e dois artistas convencionais eminentes e reconhecidos. Quando o novo candidato é aprovado, a diretoria pode admitir como bolsita ou membro, sujeito à ratificação na convenção dos artistas delegados.

As associações estão sempre em busca de novos talentos. Muitos artistas com deficiência começam na pintura como forma de terapia ou reabilitação.

Destaque mundial – O quadro de Maria Goret Chagas escolhido para a bienal no Museu Nacional de Cracóvia foi pintado em 2011, como parte do trabalho diário da artista, e elevou o nome da brasileira em exposições internacionais.

Em outubro de 2016, a tela foi selecionada e exposta na vernissage especial do ‘Le Carrousel du Louvre’, galeria comercial no Museu do Louvre, em Paris (França), quando a artista recebeu a comenda internacional ‘Honra às Mulheres e Homens de Valor’, da ‘Divine Academie Française des Arts, Lettres et Culture – Madame Diva Pavesi’, alta insígnia pelos relevantes serviços prestados à sociedade. A cerimônia de outorga foi realizada no Four Seasons Hotel George V.

Em 2012, a VDMFK e a APBP/Brasil escolheram a pintura para integrar a coleção de cartões e calendários que as associações enviam para vários países.

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