Eles ajudam ONGs a prosperar

Eles ajudam ONGs a prosperar

Projeto ASID Brasil foi criado há dez anos por três amigos empreendedores. Grupo estrutura organizações voltadas a pessoas com deficiência, conecta empresas, voluntários e instituições, com empoderamento das famílias, desenvolvimento pessoal e inclusão no mercado de trabalho. Iniciativa ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. Sem cobrar pela orientação, já ajudou 58 mil pessoas e pretende apoiar 10 milhões até 2025.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 de agosto de 2019 | 16h54


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Descrição da imagem #pracegover: Alexandre Amorim, Diego Hideo Tutumi e Luiz Hamilton Ribas, fundadores da ASID Brasil, estão lado a lado, sorrindo e olhando para a câmera. Crédito: Divulgação / ASID Brasil / Renato Stockler.


Há um pensamento comum no Brasil, bastante equivocado, de que instituições com função social, especialmente aquelas criadas para ajudar pessoas com deficiência, não podem ser encaradas como empresas, que é errado ter dinheiro em caixa.

Por esse motivo, muitas organizações enfrentam dificuldades financeiras constantes, o que impede sua evolução, limita a oferta de atendimento com qualidade e provoca o encerramento precoce do projeto. A falta de uma gestão estruturada para ampliar as ações gera dificuldades na administração, na área financeira e até nos recursos humanos.

É fato que existem organizações sociais bem administradas e com base sólida para seguir em frente. É o caso das associações Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME) e Crônicos do Dia a Dia (CDD), Apae de São Paulo, AACD, Fundação Dorina Nowill para Cegos, Instituto Rodrigo Mendes (IRM), Instituto de Oportunidade Social (IOS), Turma do Jiló, Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) e muitas outras.

Para dar apoio e levar conhecimento sobre administração a instituições voltadas às pessoas com deficiência, mostrando que é possível conquistar a sustentabilidade, progredir, organizar as contas e manter uma gestão profissional, três jovens empreendedores – Alexandre Amorim, Diego Hideo Tutumi e Luiz Hamilton Ribas – criaram a ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças), que completou dez anos.

A iniciativa é reconhecida mundialmente, atua em todo o Brasil, tem parceira com mais de 80 grandes corporações e 130 organizações. Em uma década, conseguiu apoiar 58 mil pessoas e quer chegar a 10 milhões até 2025.



São três pilares de trabalho: inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, empoderamento das famílias e desenvolvimento da pessoa com deficiência. Vale destacar que não há qualquer cobrança em nenhuma fase do programa.

“Nossa área mais forte é o desenvolvimento da pessoa com deficiência. Levamos projetos de auxílio e de gestão para as instituições, com mentores de grandes empresas, todos voluntários, que têm ampla experiência no setor privado”, explica Isabela Jardim Bonet, diretora de projetos da ASID Brasil. “Esse mentor orienta a instituição por um período, que pode ser de seis meses a um ano”, diz a diretora.

“A partir dessa mentoria, temos instituições que conseguiram crescer 15% e até 30% em um ano”, celebra Isabela. “Temos uma ferramenta que faz o diagnóstico da gestão, com oito áreas de avaliação, aplicada antes e depois do nosso programa. É um apoio ao mentor e também funciona para verificar os resultados desse trabalho”, diz a diretora.

Outras orientações que a ASID oferece envolvem uma série de capacitações, com temas específicos. A meta é desenvolver a instituição para que ela consiga melhorar ou ampliar seu atendimento às pessoas com deficiência.

INCLUSÃO NO TRABALHO – “Articulamos a inclusão no trabalho com as empresas e ensinamos as instituições a atuar como consultores, para uma possível contratação como um fornecedor dessa especialidade”, afirma Isabela Bonet.

“As instituições que incentivamos a promover a inclusão de seus associados no trabalho são voltadas principalmente a pessoas com deficiência intelectual”, comenta Luiz Hamilton Ribas, cofundador e diretor de marketing da ASID. “Essa inclusão ainda é muito restrita”, complementa a diretora de projetos.

“Não somos uma agência de empregos. Nossa lógica é para sensibilizar antes de incluir”, diz Luiz Hamilton. “É uma trabalho muito mais artesanal porque agimos em comunicação com as lideranças e preparação das equipes para a recepção das pessoas com deficiência”, ressalta o diretor.

FAMÍLIAS – “Começamos a trabalhar recentemente com as famílias das pessoas com deficiência. Levamos práticas de empreendedorismo às instituições para que os associados, especialmente os mais carentes, busquem geração própria de renda. É uma forma de reduzir a dependência exclusiva de recursos públicos, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada)”, diz Isabela Bonet.


Tudo o que você precisa saber para montar uma ONG


PRINCIPAIS PROBLEMAS ENCONTRADOS – A maior dificuldade apresentada pelas instituições que conversam com a ASID Brasil é a falta de dinheiro.

Essa impossibilidade de captar recursos prejudica o engajamento da equipe, uma vez que não é possível oferecer salários compatíveis com as funções exercidas e equivalentes ao que existem no mercado de trabalho.

Outro obstáculo é a falta de controle sobre o dinheiro que entra e de como essa quantia é usada.


A equipe cresceu e a escada na sede em Curitiba tá ficando pequena! Essa foto resume os últimos 3 dias, em que…

Publicado por ASID Brasil em Quinta-feira, 18 de julho de 2019


DEZ ANOS DE ATUAÇÃO – A ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças) nasceu em 2010, quando Alexandre Amorim, Diego Hideo Tutumi e Luiz Hamilton Ribas juntaram R$ 330,00 para colocar um projeto acadêmico em prática. O trio elaborou um projeto para a disciplina de Terceiro Setor na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Alexandre Amorim, que tem uma irmã com síndrome de Down e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), já conhecia de perto as barreiras que instituições para pessoas com deficiência enfrentam para sobreviver.

Tudo começou na reestruturação da parte administrativa de uma entidade em Curitiba (Paraná), a Escola Especial Alternativa, que precisava de suporte para resolver seus problemas financeiros, capacitar profissionais e melhorar a divulgação.

“Distribuímos panfletos, batemos de porta em porta, recebemos 88 nãos, mas quando recebemos o primeiro sim tudo mudou, porque tínhamos o propósito de qualificar as instituições”, conta diz Alexandre Amorim. “Na Escola Especial Alternativa, por exemplo, havia uma dívida de R$ 70 mil e, com o nosso trabalho em parceria, a instituição saiu do vermelho. Além disso, também atuamos na busca por investimento social”, diz o cofundador da ASID Brasil.

A ASID Brasil iniciativa foi reconhecida em 2017 como uma das 100 melhores ONGs brasileiras pelo Instituto Doar e pela Revista Época, além de outros prêmios nacionais e internacionais. Alexandre Amorim entrou para a lista Under 30 da Forbes Brasil, que reúne talentos do Terceiro Setor.

CENÁRIO NACIONAL – No Brasil, 3.500 instituições atendem pessoas com deficiência. Atualmente, a Rede ASID tem 93 organizações.

MAIS PRÊMIOS – ASID Brasil foi escolhida como Melhor Empreendimento na América Latina, na categoria de Ação Coletiva, no VII Prêmio VIVA Schmidheiny, que será entregue na Cúpula de Liderança e Inovação para a Sustentabilidade – Cumbre LIS 2019, em Jujuy (Argentina).

A organização foi selecionada para outro prêmio, que tem votação aberta ao público em geral até 30 de agosto. Para votar, acesse bit.ly/voteASID.



SAIBA MAIS – A ASID faz um diagnóstico social e identifica os principais pontos que precisam ser trabalhados. Seus projetos seguem três diretrizes, que se desdobram em nove programas, conforme os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), realizados por meio de quatro ferramentas.

– Desenvolvimento do Território: metodologia com diagnóstico de gestão, projeto, acompanhamento e formação de redes entre instituições de ensino e atendimento filantrópicas para pessoas com deficiência. Essa metodologia permite a estruturação de processos internos para melhorar a qualidade de atendimento e aumentar o número de vagas.

– Voluntariado Corporativo: ações de voluntariado que unem o interesse das empresas no desenvolvimento de competências no seu público interno com ações nas instituições que fazem parte da Rede ASID. A ASID promove diversos tipos de ação, trabalhando na organização, realização e mensuração de resultados das ações.

– Inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho: metodologia que sensibiliza e prepara as equipes de empresas e depois faz a articulação com instituições para pessoas com deficiência da Rede ASID para recrutamento e seleção. Dessa forma, gera a inclusão consciente e assertiva, boa para a empresa que contrata e para quem é incluído.

PARA EMPRESAS – Trabalhando com voluntariado corporativo, faz a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do território e ações de marketing relacionado a causas (MRC)

– Voluntariado Corporativo: metodologia que ganhou 20 prêmios nacionais e internacionais, com ações criadas em parceria com empresas que envolvem diagnóstico de engajamento, apoio no direcionamento de campanhas de engajamento internas, levantamento e organização das atividades, formação e capacitação de comitês, acompanhamento e realização das ações, mensuração de resultados para a instituição impactada e o desenvolvimento dos voluntários participantes, além da geração de relatórios e da criação de futuras ações da empresa.

– Inclusão no mercado de trabalho: construção de uma cultura organizacional que dá suporte ao processo de inclusão, com palestras, workhops, vivências com pessoas com deficiência e articulação para a inclusão.

– Desenvolvimento do Território: novas ferramentas para comunidades locais, com expertise aliada à Teoria de Impacto Coletivo para assessoria em gestão a instituições e o desenvolvimento de comunidades locais mais inclusivas. Envolve a produção de diagnóstico local, fortalece o engajamento e criação de uma agenda comum, criação do plano de desenvolvimento, articulação dos atores para construção da comunidade inclusiva a acompanhamento da comunidade.

– Marketing Relacionado à Causas (MRC): ações para impactar o público, com criação de materiais gráficos, vídeos e engajamento de influenciadores, com levantamento de resultados e o planejamento de uma nova ação para o futuro.

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