Banco do Brasil e a exclusão de pessoas com deficiência

Banco do Brasil e a exclusão de pessoas com deficiência

Elevador instalado em 2014 em uma agência de Santos (SP) começou a funcionar em agosto deste ano, apresentou problemas um mês depois e só voltou a operar normalmente hoje. Quem usa cadeira de rodas ou não consegue subir escadas ficou impedido de entrar no local.

Luiz Alexandre Souza Ventura

18 Setembro 2015 | 14h07

Imagem: Reprodução/Google Maps

Imagem: Reprodução/Google Maps

———-
Atualizado às 21h20 – A entrada da agência 6820 do Banco do Brasil, em Santos, litoral sul de São Paulo, é um exemplo de exclusão. Desde o ano passado, quando a rampa que havia no local foi substituída por um elevador, clientes que usam cadeira de rodas, ou não conseguem subir as escadas, são constantemente impedidos de entrar no prédio, a não ser que sejam carregados por outras pessoas. Isso porque o elevador, instalado em 2014, começou a funcionar somente no último dia 5 de agosto, mas apresentou problemas mecânicos nesta semana, especificamente na quarta-feira, 16, e só voltou a operar normalmente hoje.

“É uma falta de respeito. Minha mãe tem conta naquela agência. Ela tem 74 anos e usa a cadeira de rodas. Moramos perto do banco, mas somos obrigadas e ir até outro, bem mais longe, para ela poder entrar”, diz a professora Mirella Scomparim, que já havia denunciado a demora na instalação do equipamento. “Levou mais de um ano para ficar pronto e mais oito meses para começar a funcionar. E, quando precisamos ir ao banco, estava parado”. Mirella e sua mãe, a professora aposentada Amiris Scomparin, já estão acostumadas a enfrentar as dificuldades da falta de acessibilidade. Em um dos casos, ela usou o Facebook para reclamar sobre o estado de conservação de uma passarela, também em Santos.

O blog Vencer Limites entrou em contato com o Banco do Brasil na última segunda-feira, 14, e pediu explicações. Em e-mail enviado na noite desta sexta-feira, 18, o banco informa que “a plataforma teve seu funcionamento iniciado em 05 de agosto deste ano, após expedição de alvará pela Prefeitura, e permaneceu em funcionamento até a última quarta-feira, dia 16, quando apresentou problemas técnicos, solucionados no dia de hoje”, diz a nota. “O Banco do Brasil lamenta quaisquer transtornos que tenham sido causados a seus clientes e informa que todas as suas agências no País possuem acesso a pessoas com deficiência”, completa a nota.

Se você é cliente do Banco do Brasil e enfrenta problemas de acessibilidade em alguma agência, entre em contato conosco pelo e-mail blogvencerlimites@gmail.com.

A Prefeitura de Santos afirma que o elevador instalado está licenciado, mas a empresa responsável pela manutenção informou oficialmente que não é mais contratada/responsável pela manutenção. De acordo com a administração municipal, o Banco do Brasil foi intimado a apresentar nova empresa de manutenção para que o elevador possa funcionar legalmente.

“O banco ainda tem 15 dias para regularizar a situação. Caso contrário, será multado em cerca de R$ 200,00, de acordo com o artigo 63 da Lei Municipal 84/93. É importante esclarecer que a Lei Complementar nº 333, de 1999, dispõe sobre a instalação, conservação e funcionamento de elevadores. Quando da instalação a Prefeitura emite, após vistoria, um certificado de funcionamento. A partir daí, uma empresa contratada pelo proprietário do imóvel e cadastrada na Prefeitura é responsável pela manutenção do equipamento. Trimestralmente a empresa deve emitir um laudo e entregar na Prefeitura, especificando as condições do elevador, e se é necessária a troca de peças. No caso de troca de peças, a Prefeitura exige que o serviço seja efetuado o mais rápido possível”, conclui a Prefeitura santista.

———-