“Cada pessoa está fazendo o seu autismo”, diz Esperidião Amin

“Cada pessoa está fazendo o seu autismo”, diz Esperidião Amin

Durante sessão de comissão que ouviu explicações de ministro da Educação sobre declarações capacitistas, o senador comparou autistas a pessoas em uma mesa de restaurante que usam o smartphone ao invés de conversarem. "É uma das facilidades que estamos criando para a ampliação do autismo", afirmou Amin.

Luiz Alexandre Souza Ventura

16 de setembro de 2021 | 13h27

Imagem do senador Esperidião Amin falando durante sessão de comissão. Ele é um homem branco, de 73 anos, careca, de óculos, com a máscara de proteção facial pendurada na orelha, veste terno cinza, camisa branca e gravada vinho.

“Aceitarei qualquer crítica”, declarou Esperidião Amin após ser questionado. Crédito: Reprodução.


O senador Esperidião Amin (PP-SC) comparou autistas a pessoas que estão juntas em uma mesa de restaurante, mas usam seus smartphones ao invés de conversarem.

“Vou fazer um pouco de charlatanismo”, anuncia o senador.

“Eu creio que uma das facilidades que nós estamos criando para a ampliação do autismo é essa cena que nós vemos em muitos restaurantes. Pessoas ao redor de uma mesa, mas elas não estão conversando. Cada uma (ele pega o smartphone e se cala). Quem não viu isso ainda? (ele volta a pegar o aparelho). Dez pessoas num banco, mas uma não está conversando com a outra”, comenta.

“Cada uma fazendo, entre aspas, o seu autismo”, diz Amin. “A urbanização, que deveria estar aumentando o grau de socialização, está produzindo isolamento”, completou o senador.



O blog Vencer Limites entrou em contato com o gabinete do senador em Brasília logo após as declarações. Por meio de sua equipe, Esperidião Amin respondeu apenas: “Como disse, é uma analogia que passa pela sociologia e urbanização. Aceitarei qualquer crítica”.

As afirmações de Amin foram feitas durante a sessão desta quinta-feira, 16, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado, que recebeu o ministro da Educação, Milton Ribeiro. O titular do MEC explicou recentes declarações capacitistas sobre estudantes com deficiência “atrapalharem” o aprendizado dos colegas sem deficiência.



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