“Nem tudo no Brasil está tão errado ou é tão ruim”

“Nem tudo no Brasil está tão errado ou é tão ruim”

Para o nadador Caio Amorim, o legado dos Jogos Paralímpicos de 2016 pode mudar para melhor a situação das pessoas com deficiência no Brasil.

Luiz Alexandre Souza Ventura

20 Maio 2015 | 11h00

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

“A natação é o meu trabalho”, diz Caio Amorim. Foto: Divulgação

Caio Amorim tem 22 anos e persegue uma meta. Ele largou a faculdade de administração, deixou sua cidade natal – Saquarema, no RJ – e foi morar em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, para treinar, treinar e treinar, com foco em um bom resultado (talvez a medalha de ouro) nos Jogos Paralímpicos de 2016. “A natação é o meu trabalho. São três sessões de treino por dia. Duas na piscina e uma na musculação”, diz.

As competições fazem parte da vida do atleta desde a infância, entre 8 e 9 anos, época na qual disputava posições com atletas sem deficiência, inclusive no mar, enfrentando as travessias. “Comecei para tratar da bronquite”, conta Caio, que nasceu com má formação nas pernas, o que compromete seus movimentos, mas jamais limitas vitórias.

Aos 14 anos, após uma pausa para cirurgias, ele conheceu o Instituto Superar e passou para as competições de alto desempenho. Em 2009, Caio quebrou quatro recordes brasileiros da classe S8 e competiu no Parapan de Jovens, em Bogotá (Colômbia). Em 2011, participou do Open de Berlim de Paranatação e do Parapan de Guadalajara, onde ganhou cinco medalhas (dois ouros, duas pratas e um bronze). Em 2012, nas Paraolimpíadas de Londres, terminou a final do 400m livre na sétima colocação, com o tempo de 4min39s86, além de obter quarto lugar na disputa do revezamento. Em 2013, no Mundial de Montreal, no Canadá, terminou os 400m livre em sexto lugar.

“Para mim, nunca houve impedimentos dentro da natação. Meu professor fez toda a diferença, minha família e meus amigos sempre me apoiaram”, diz Caio. Ele afirma ter conhecido muito mais sobre o universo da pessoa com deficiência após entrar nas competições específicas e ressalta que esse deve ser o legado dos Jogos de 2016, a exemplo do que, na opinião dele, ocorreu em Londres. “Nem tudo no Brasil está tão errado ou é tão ruim. Na época da Olimpíada em Londres, a cidade tinha muita acessibilidade por causa dos jogos, mas o importante é que isso foi mantido. É exatamente isso que precisa acontece no Brasil”.

Atualmente patrocinado pela Seguros Unimed, Caio diz que o País precisa investir nas crianças, incentivar a prática de esportes, mas também criar a estrutura para que essas crianças continuem. “O Brasil tem poucas iniciativas para ‘bancar’ as crianças e colocá-las no esporte”. Sobre o dia a dia, ele diz conviver de forma harmoniosa com a falta de educação e cita como exemplo o uso das vagas reservadas para pessoas com deficiência nos estacionamentos. “Eu não uso porque tem gente que precisa mais do que eu, mas é fato que não há qualquer fiscalização. E quando eu reclamo, acabo ouvindo respostas muito agressivas e até preconceituosas”.

Para Caio Amorim, o legado dos jogos de Londres é o mais importante. Foto: Divulgação

Para Caio Amorim, o legado dos jogos de Londres é o mais importante. Foto: Divulgação