Campanha com atletas paralímpicos faz alerta sobre a meningite

Campanha com atletas paralímpicos faz alerta sobre a meningite

Com sequelas causadas pela doença, cinco integrantes da delegação brasileira participam de ação que incentiva a imunização. "A melhor maneira de prevenção é a vacinação", diz médica.

Luiz Alexandre Souza Ventura

16 Setembro 2016 | 09h35

Meningite é o nome dado à infecção na meninge, tecido que envolve o cérebro, contraída por vírus, bactéria, contaminação química ou trauma. Os quadros mais graves, com evolução rápida e sequelas, são provocados pela bactéria Meningococo (Neisseria meningitidis), que pode ser encontrada nos tipos A, B, C, W e Y.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), de 5% a 10% das pessoas que contraem a doença morrem, mesmo com tratamento. E se não houver combate, a taxa de mortalidade fica entre 70% a 90%.

Aproximadamente 20% das pessoas que contraem a meningite ficam com sequelas, como dano cerebrais – que podem causar deficiências cognitivas -, dificuldades motoras, deficiências auditivas, visuais, e até mesmo amputações provocadas por isquemias intensas.

Cinco atletas que integram a delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, e têm sequelas da meningite, participaram da campanha Internacional ‘Vença a Meningite’, que incentiva a vacinação.

Os esportistas brasileiros posaram para a fotógrafa, também brasileira, Simone Silvério. E a australiana Anne Geddes, em Nova Iorque, captou imagens de bebês e seis atletas paralímpicos de diversos países.


Ivanilde Cândida da Silva, jogadora de basquete em cadeira de rodas, foi diagnosticada com a doença aos nove meses de idade. Tem encurtamento da perna esquerda e a perda de movimentos nas mãos e nos pés

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Jhulia Karol dos Santos é velocista e perdeu a visão aos nove anos

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Suélen Marcheski de Oliveira, do atletismo, ficou doente com poucos dias de vida e teve paralisia cerebral do lado esquerdo

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Andrey Pereira Garbe é nadador e teve meningite quando tinha um ano e meio de idade, associada à trombose. O resultado foi a amputação da perna direita

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Filippe Santos Silvestre ficou cego aos três anos e compete atualmente no Goalball

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“A meningite do tipo C é a mais comum, com aproximadamente 75% dos casos no Brasil, seguida pelo tipo B, com 18%. Nos últimos dez anos, houve um avanço da Meningococo dos tipos W e Y, que já chegam a 7% das ocorrências. Essa estatística varia de acordo com a região do País e também do mundo”, explica a médica Marilene Lucinda Silva, especialista em terapia intensiva e clínica médica, membro da regional de Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e responsável técnica pelo setor de vacinas no Laboratório Hermes Pardini.

“Qualquer pessoa que tiver contato direto com alguém que tem meningite pode contrair a doença. Uma conversa, espirros ou tosses transmitem facilmente a bactéria. Por esse motivo surgem surtos em determinados locais e períodos”, diz a especialista.

“E os sintomas aparecem de forma rápida, semelhantes aos da gripe, como mal estar, dores no corpo e febre. Após seis horas, pode surgir uma rigidez na nuca. Depois de 12 horas a pessoa é acometida por uma quadro de prostração (debilidade física, fraqueza, abatimento, moleza). E pode entrar em coma 24 horas após contrair a meningite”.

O combate à doença é feito com antibióticos. Pessoas que tiveram contato com indivíduos infectados precisam fazer um tratamento profilático, também com antibióticos. E quem não foi exposto deve tomar a vacina.

“A melhor maneira de prevenção é a vacinação, antes do surto. Isso porque a meningite evolui de maneira muito rápida e a pessoa precisa estar com o organismo preparado para se defender das ações da bactéria”, ressalta a dra. Marilene Lucinda. “As campanhas de imunização aplicam vacinas contra o tipo C e o tipo B, além de uma quadrivalente (ACWY), que está liberada no Brasil há pouco mais de um ano, e que era muito aguardada”, afirma.

“No Programa Nacional de Vacinação, percebemos um maior controle da doença. A vacinação pública, infelizmente, atinge somente as crianças. E a vacina chegou à saúde pública há oito anos. Os adultos que nasceram antes desse trabalho começar estão desprotegidos, com possibilidade somente na rede particular, que cobra em torno de R$ 300 por aplicação (dose única). E, geralmente, são os adultos que iniciam as epidemias, contraindo a bactéria em viagens e levando para seus países de origem”, destaca a médica.

“Se uma mulher grávida contrair a meningite, a doença pode chegar ao bebê e, eventualmente, matar a criança. É fato que a meningite, por sua rápida evolução, deixa sequelas definitivas e pode matar. Além disso, uma mesma pessoa pode contrair meningite mais de uma vez”, conclui.

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