Campanha pede legendas em lives e vídeos na internet

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Campanha pede legendas em lives e vídeos na internet

Iniciativa destaca importância da acessibilidade ampla para surdos, que vai além da tradução em Libras. "A maioria das pessoas não sabe nada sobre a surdez", diz Paula Pfeifer, idealizadora da ação #QueremosLegendas. Artistas como Gilberto Gil, Lulu Santos e Wilson Sideral incluíram o recurso em suas apresentações.

Luiz Alexandre Souza Ventura

09 de junho de 2020 | 17h13


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Descrição da imagem #pracegover: Smartphone com a tela preta e a hashtag #QueremosLegendas escrita em branco. Ao fundo, flores e plantas. Crédito: blog Vencer Limites.


Uma campanha na internet pede recursos completos de acessibilidade para pessoas com deficiência, especialmente legendas para permitir a inclusão de quem é surdo, em lives e vídeos na internet, formato que tem dominado a rede durante a pandemia de covid-19.

A iniciativa #QueremosLegendas, lançada pela escritora e palestrante Paula Pfeifer, autora de ‘Crônicas da Surdez’ e líder do projeto ‘Surdos que Ouvem’, já conseguiu engajar grandes artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Lulu Santos e Wilson Sideral, que legendaram suas apresentações.

“A grande questão pra gente é que a maioria das pessoas não sabe nada sobre surdez, acha que todo surdo usa Libras, é mudo e não entende português escrito”, diz Paula.

“Vários artistas colocam apenas intérpretes de Libras nas lives, por causa desse desconhecimento, e acham que estão ajudando todo mundo”, afirma a escritora.

Obrigação – Incluir interpretação na Língua Brasileira de Sinais – e também audiodescrição, legendas, ferramentas completas de acessibilidade digital, braile e qualquer outro suporte disponível para garantir acesso à população com deficiência – em shows, vídeos, eventos ao vivo, palestras, atendimento presencial e online de qualquer serviço público ou privado, ou até mesmo implementar ferramentas de inteligência artificial que fazem a tradução de textos em websites, são exigências da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015).

Independentemente do recurso ou da deficiência, as portas precisam estar abertas para todos, porque a inclusão não pode ser parcial, incompleta. Dessa forma, legendas nas lives e vídeos é uma oferta básica ao público com deficiência ou não.

Todos os lados – Paula Pfeifer chama atenção para a realidade das pessoas surdas que não têm interesse na comunicação em Libras e lança luz sobre um assunto polêmico.

“A lei (n° 10.436/2002) reconhece legalmente a Libras como meio de comunicação e expressão da comunidade surda, ou seja, reconhece que é um meio legal e legítimo de comunicação, mas não a torna oficial, e ainda determina que a Língua Brasileira de Sinais não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa”, comenta Paula.

“O artigo 13 da Constituição Federal, que estabelece a Língua Portuguesa como o idioma oficial da República Federativa do Brasil, não foi alterado e a lei que reconhece a Libras teria que deixar claro que altera tal artigo”, destaca a escritora.

“Nosso trabalho é de educação, principalmente. Mas é difícil”, completa Paula Pfeifer, que também está conversando com o empresário e youtuber Felipe Neto sobre a inclusão das legendas nas lives do influenciador.



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