Pessoas com deficiência impulsionam vendas de carros em 2015

Pessoas com deficiência impulsionam vendas de carros em 2015

Montadoras esperam crescimento de 20%. Número demonstra potencial de consumo desse público. No Brasil, mais de 46 milhões de cidadãos têm alguma deficiência e podem comprar um veículo novo com isenções de IPI, ICMS, IPVA e até IOF.

Luiz Alexandre Souza Ventura

28 Outubro 2015 | 10h44

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A crise financeira está instalada no País e o dinheiro usado em supermercados, padarias, feiras livres e outros estabelecimentos comerciais enche cada vez menos as nossas sacolas. Em casa, as contas fixas, como água, luz, gás, condomínio e impostos subiram, mas nossos salários não acompanharam esses aumentos. Com a redução do consumo, empresas são obrigadas a equilibrar o orçamento, demitem funcionários, reajustam preços e muitas acabam fechando as portas.

No mercado automotivo, por exemplo, as montadores dão previsões negativas, com uma queda de 22% nas vendas até dezembro. Segundo as empresas, baixar os valores dos carros não é uma opção e, desta forma, os pátios ficam lotados.

Foto: Reprodução

Honda prevê aumento de 18% nas vendas para pessoas com deficiência em 2015

Apesar disso, as vendas de carros novos para pessoas com deficiência devem fechar 2015 com um crescimento de aproximadamente 20%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para pessoas com Deficiência (ABRIDEF). “A expectativa do mercado é vender em torno de 100 mil carros com isenção, já levando em consideração a retração econômica atual’, afirma Rodrigo Rosso, presidente da associação.

Em 2014, foram vendidos 84 mil carros para pessoas com deficiência por meio da lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que concede isenção de IPI (Instrução Normativa 988 da Receita Federal) e IOF a pessoas com deficiência condutoras ou não, a familiares e responsáveis legais.

A Honda, montadora que investe forte no mercado de pessoas com deficiência e tem uma área específica para essa finalidade, chamada Honda Conduz, prevê aumento de 18% nas vendas em 2015, totalizando 14.500 veículos. A expansão tem sido constante. No ano passado, foram 12.600 carros. Em 2013, 10.700 e, em 2012, 6.600 veículos vendidos para pessoas com deficiência.

CNH para pessoas com deficiência

É uma demonstração do potencial de consumo da pessoa com deficiência e um exemplo para empresas, que devem avaliar possíveis investimentos nesse público que é formado, no Brasil, segundo o Censo IBGE 2010, por mais de 46 milhões de pessoas.

Foto: Divulgação

Honda tem atendimento especializado para pessoas com deficiência

O que provoca esse crescimento constante, mantendo aquecido o setor, mesmo com a crise, na avaliação de Marcos Martins de Oliveira, gerente-geral comercial da Honda, é a informação. “A divulgação tem ajudado bastante porque mostra como muitas pessoas podem obter as isenções, mas não sabem. Há também o crescimento do beneficiário não-condutor, ou seja, aquele que conquista o benefício, mas não guia o carro”, diz.

Para Oliveira, o teto de R$ 70 mil para compra do carro zero com todas as isenções previstas tem de ser revisto. “É o mesmo preço desde 2009, mas a inflação e outros fatores reduzem o poder de compra e muitas marcas precisaram aumentar os preços”, afirma o gerente.

Ana e Antonio conseguiram as isenções. Imagem: blog Vencer Limites

Ana e Antonio conseguiram as isenções. Imagem: blog Vencer Limites

O advogado Antonio Aragão, que mora em Santos, no litoral sul de São Paulo, também defende uma revisão no valor máximo. “Muitas pessoas com deficiência precisam de carros grandes para transportar equipamentos como cadeiras de rodas e a restrição ficou muito alta, mesmo com a isenção do IPI”, afirma. Ele tirou a Carteira Nacional de Habilitação específica para pessoa com deficiência e conseguiu as isenções, porque tem uma artrose no joelho esquerdo, e comprou recentemente o modelo HR-V, da Honda. “Consegui economizar 12%, mas sem a isenção do ICMS”, explica.

A dentista Ana Claudia Moura comemora o desconto obtido na compra do carro com a isenção de ICMS, IPI e IPVA. “O carro vem da fábrica e precisamos aguardar até dois meses, mas vale a espera porque eu economizei uns R$ 18 mil, dinheiro que eu uso durante mais de um ano para tratamento da coluna”, afirma. “Eu preferi não pegar a autorização para estacionar nas vagas reservadas porque, apesar de ter deficiência, isso não afeta a minha mobilidade. E como essas vagas são poucas, acredito que devem ser usadas por quem realmente precisa”, conclui.

Imagem: Reprodução

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