Advogada diz ter sido expulsa da Casacor após criticar falta de acessibilidade na mostra

“Uma funcionária me chamou de mentirosa e me mandou calar a boca”, afirma Nathalia Blagevitch Fernandez, que tem paralisia cerebral e foi transportada pelo elevador de carga. Responsáveis pelo evento negam que a visitante com deficiência tenha sido discriminada e expulsa.

Luiz Alexandre Souza Ventura

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Nathalia Blagevitch Fernandez é advogada. Crédito: Reprodução.


Atualizado em 24/10/2021, às 17h43 – A advogada Nathalia Blagevitch Fernandez, de 30 anos, que tem paralisia cerebral, afirma ter sido discriminada e conduzida para fora da Casacor, mostra de arquitetura e decoração em cartaz no Allianz Parque, na região oeste de São Paulo, após reclamar da falta de acessibilidade no evento.

Nathalia conta que comprou o ingresso pela internet, para ela e para uma acompanhante – a R$ 50 cada – e informou ser uma pessoa com deficiência. Quando chegou no evento neste sábado, 23, após visitar o primeiro andar da exposição, ela procurou pelos elevadores e, como não encontrou, buscou representantes da organização.

“A equipe da exposição explicou que os elevadores para pessoas com deficiência haviam sido danificados após uma falta de luz e estavam parados”, diz Nathalia. “Indicaram o uso do elevador de carga, mas disseram que eu só subiria um andar”, narra a advogada. “Perguntei se alguém poderia me carregar e isso foi recusado”, relata.

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Em nota enviada ao blog Vencer Limites neste domingo, 24 (leia a íntegra mais abaixo), a Casacor afirma que “reforçou com a visitante que ela poderia solicitar ressarcimento ou reagendar a visita. Ao chegar no piso térreo, Nathália se dirigiu até a bilheteria, como indicado pela equipe, para explicação do procedimento de estorno do valor de ingresso pela operadora de cartão de crédito”, diz a nota.

“Eu desci com uma bombeira e a minha acompanhante pelo elevador de carga. Quando estávamos saindo, duas mulheres, uma delas carregando um bebê e um carrinho, a outra usando uma bengala, entraram no elevador, acompanhadas por uma moça com roupas pretas e o crachá da Casacor. Eu falei que não havia acessibilidade. A funcionária da Casacor respondeu na hora ‘cala a boca sua mentirosa’ na frente de todas as pessoas”, diz a advogada. “Então, eu chamei a polícia e respondi que queria falar com a organizadora do evento – Eliana Sanchez -, mas essa funcionária não permitiu”, afirma Nathalia.

Na mesma nota, a Casacor diz que “acompanhou Nathália durante a chamada da Polícia Militar e solicitou que ela aguardasse a chegada da viatura em local de sua escolha. A visitante, após a ligação, decidiu ir embora, sendo acompanhada pela equipe brigadista durante todo o trajeto até a saída da mostra, feita por um túnel (instalação artística). A equipe se ofereceu para acompanhá-la até seu carro (estacionado em shopping vizinho), o que a visitante recusou”.

Nathalia não confirma essa situação. “Depois que chamei a polícia, a bombeira disse que eu não podia mais ficar lá e teria de esperar os policiais do lado de fora. Me conduziram para fora, fui expulsa sim”, destaca a advogada.

Nathalia explica que os policiais compareceram ao local, mas não fizeram nada porque “não havia crime” e a orientaram a registrar o boletim de ocorrência pela internet. A advogada fez o BO e pretende comparecer à Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência de SP, no Centro da capital paulista, para formalizar uma denúncia.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n° 13.146/2015), no artigo 42, “A pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, sendo-lhe garantido” – inciso II – “acessibilidade nos locais de eventos e nos serviços prestados por pessoa ou entidade envolvida na organização das atividades de que trata este artigo”. Na mesma legislação, o artigo 88 estabelece que é crime “Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência”, com previsão de pena de reclusão de um a três anos, além de multa.



Resposta – Leia a íntegra da nota atualizada da Casacor, enviada ao blog Vencer Limites neste domingo, 24.

“A CASACOR São Paulo reforça que repudia qualquer ato discriminatório e que ministra treinamentos aos funcionários, bem como aos seus terceirizados, enfatizando sempre os protocolos internos de conduta e responsabilidade no trato com seus visitantes.

Com relação ao episódio relatado pela visitante Nathália Blagevitch Fernandez durante sua visita neste sábado, dia 23 de outubro, a CASACOR informa que o prédio onde ocorre a mostra, no Allianz Parque, passou por atividades de manutenção preventiva programada nas subestações, para garantir a máxima qualidade e segurança no fornecimento de energia. No decorrer das atividades da mostra, houve uma situação de força maior e o fornecimento de energia teve de ser interrompido por algumas horas, impactando diretamente nos elevadores que dão acesso à mostra e a todos os andares do estacionamento.

O procedimento adotado pela CASACOR foi o de avisar a todos os visitantes sobre o problema, oferecendo ressarcimento ou remarcação da visita em outras datas e horários. Para acomodar e atender aos visitantes que não poderiam retornar e gostariam de seguir com a visita mesmo com a limitação do uso de elevadores de acesso, a organização ofereceu, em caráter de exceção, acesso pelo elevador de carga, único equipamento não afetado pela queda de energia.

Os visitantes que optaram por seguir com a visita, foram encaminhados para o elevador e monitorados pelo chefe de segurança da mostra até o rooftop (sétimo andar, local onde tem início o circuito interno de CASACOR). O acesso ao sexto andar (onde continua e se encerra o passeio) seria feito pelas escadas, que fazem parte do roteiro e por onde os visitantes poderiam seguir com a visitação completa.

No caso de Nathália, no entanto, no qual o uso do elevador era essencial para acesso, o mesmo não foi possível, nem pelo elevador de carga, já que o caminho era alternativo e não comportava corretamente a scooter elétrica de propriedade da visitante. A opção de carregá-la no colo não foi considerada por fatores de segurança.

A partir desse momento, a equipe CASACOR reforçou com a visitante que ela poderia solicitar ressarcimento ou reagendar a visita. Ao chegar no piso térreo, Nathália se dirigiu até a bilheteria, como indicado pela equipe, para explicação do procedimento de estorno do valor de ingresso pela operadora de cartão de crédito. Nesse momento, a visitante comunica que a polícia seria acionada por conta da questão de acessibilidade.

A equipe CASACOR acompanhou Nathália durante a chamada da Polícia Militar e solicitou que ela aguardasse a chegada da viatura em local de sua escolha. A visitante, após a ligação, decidiu ir embora, sendo acompanhada pela equipe brigadista durante todo o trajeto até a saída da mostra, feita por um túnel (instalação artística). A equipe se ofereceu para acompanhá-la até seu carro (estacionado em shopping vizinho), o que a visitante recusou.

A CASACOR reforça que em nenhum momento a visitante foi expulsa do local e que toda sua visitação foi acompanhada pela organização e equipe brigadista, procedimento padrão adotado em todas as visitas de pessoas com deficiência.

A mostra informa, ainda, que está em contato direto com Nathália para apurar a suposta má conduta por parte de membro da organização, para que as medidas administrativas cabíveis sejam tomadas. Toda a visita de Nathália foi registrada pelas câmeras de segurança do local e estão disponíveis para apuração total do caso.

Com o funcionamento normal dos elevadores, a CASACOR São Paulo é uma mostra 100% acessível, procedimento adotado desde 2016. O evento é totalmente preparado para receptivo não apenas de pessoas com deficiência, mas de idosos e famílias com crianças pequenas, que acessem os ambientes com carrinhos. A mostra conta com rampas de acesso em todos os ambientes; disponibiliza na recepção duas motos elétricas e 2 cadeiras de rodas para os visitantes; 3 elevadores exclusivos para acesso à mostra; 3 elevadores exclusivos para acesso a estacionamento, 1 elevador para pessoas com deficiência no sexto andar, para acesso aos pisos do circuito.

Há ainda quatro banheiros, todos unissex e com cabine exclusiva e equipada para pessoa com deficiência, distribuídos em todos os andares do circuito. Toda a equipe CASACOR é treinada e orientada para atender a qualquer necessidade dos visitantes, em todas as situações, prezando sempre pelos pilares de sustentabilidade e acessibilidade e inclusão”.

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