CCR começa a incluir pessoas com deficiência na direção dos trens

CCR começa a incluir pessoas com deficiência na direção dos trens

Dois funcionários comandam composições do Metrô Bahia. Máquinas têm tecnologia atualizada e não precisam de adaptações para receber os operadores com deficiência. Profissionais com e sem deficiência disputaram as vagas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de julho de 2021 | 11h41

Foto de Talis Felipe, de 28 anos, homem branco, de cabelos escuros e curtos, com um óculos sobre a cabeça e uma máscara de proteção facial. Está na cabine de comando de um trem e veste o uniforme da CCR Metrô Bahia. O veículo trafega por uma área aberta. O operador olha para a câmera e sorri.

Talis Felipe teve amputação em três dedos da mão direita quando era marceneiro. Crédito: Divulgação / Victor Lopes (descrição da imagem em texto alternativo).


Dois funcionários da CCR Metrô Bahia são os primeiros profissionais com deficiência do grupo a assumirem a direção dos trens. É um importante avanço na inclusão desses trabalhadores, principalmente porque eles disputaram as vagas com colegas sem deficiência e também porque o sistema das composições tem tecnologia atualizada e não precisou de adaptações para receber os novos comandantes.

Genilson Silva, de 43 anos, tem deficiência na perna esquerda, causada por um acidente quando ele tinha 12 anos. Talis Felipe, de 28 anos, teve amputação em três dedos da mão direita quando era marceneiro. Eles agora fazem parte de um pequeno grupo de quatros operadores de trens em todo o País que são pessoas com deficiência.

O processo para que Genilson e Talis se tornassem OTs (operadores de trem), após a seleção deles para a função, envolveu um treinamento de três meses que garantiu autonomia na atividade. Ambos fazem tudo sozinhos.

“Não houve adaptação do circuito dos trens porque a tecnologia de automação disponível permite que pessoas com qualquer característica possam conduzir o veículo”, diz George Santino, coordenador de engenharia do Metrô Bahia.


Foto de Genilson Silva, de 43 anos, homem branco, de cabelos escuros e curtos, com uma máscara de proteção facial. Está na cabine de comando de um trem e veste o uniforme da CCR Metrô Bahia. O veículo trafega por estação. O operador olha para a frente, em direção aos trilhos.

Genilson Silva tem deficiência na perna esquerda. Crédito: Divulgação / Victor Lopes (descrição da imagem em texto alternativo).


Os dois operadores têm deficiências leves, conforme a avaliação biopsicosocial estabelecida pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (nº 13.146/2015), e essa a experiência amplia o conhecimento sobre quais melhorias os mecanismos podem receber para que outros profissionais com restrições mais severas, em algum momento, também tenham acesso ao trabalho.

“Neste momento, na operação de trens, não é possível incluir pessoas com deficiências mais severas. Não é pela tecnologia ou por uma necessidade de adaptação, mas porque a estrutura em si ainda não é adequada e poderia gerar riscos. Porém, o treinamento já contempla sim profissionais com deficiências severas”, explica George Santino.

O Metrô Bahia tem 76 funcionários com deficiências auditivas, físicas, intelectuais e visuais, que atuam em diversas funções, inclusive na coordenação da área de tráfego, no centro de controle operacional e na gestão de inteligência de segurança.

Durante a pandemia, com movimento limitado e horário restrito de funcionamento, 230 mil pessoas usam a rede diariamente. A média, após a crise sanitária, deve chegar a 440 mil por dia.


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