“Conhecimento sobre acessibilidade pode gerar lucro”

“Conhecimento sobre acessibilidade pode gerar lucro”

Cineasta fala ao #blogVencerLimites sobre a falta de técnica e planejamento para inclusão de recursos acessíveis em produções de audiovisual. "A presença de pessoas com deficiência nos processos é fundamental", diz Chico Faganello.

Luiz Alexandre Souza Ventura

07 de outubro de 2020 | 13h15

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Foto da tradutora e intérprete de Libras Thuany Galdino, que está em um estúdio de gravação, em frente a uma câmera. A imagem dela é vista na tela da câmera. Ao fundo, uma parede verde e, nos dois lados, refletores iluminam o ambiente. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Foto da tradutora e intérprete de Libras Thuany Galdino, que está em um estúdio de gravação, em frente a uma câmera. A imagem dela é vista na tela da câmera. Ao fundo, uma parede verde e, nos dois lados, refletores iluminam o ambiente. Crédito: Divulgação.


O setor audiovisual precisa de conhecimento, técnica e planejamento para simplificar a inclusão de recursos de acessibilidade em produções de TV, cinema, publicidade, telejornalismo, marketing digital, videoaulas, de guias turísticos, de museus, institucionais, grandes ou pequenos, para salas, auditórios, smartphones ou qualquer espaço na internet.

A avaliação é do cineasta Chico Faganello, que ministra curso para o segmento, “do produtor ao roteirista, do editor ao pipoqueiro da sala de cinema”, para modificar a maneira como a acessibilidade é encarada e posicionada.

“Nosso plano é facilitar a vida dos consumidores, que terão mais produtos, e também a dos produtores que, se pensarem em acessibilidade antes de realizarem os projetos, filmes ou simples propagandas, vão economizar, trabalhar mais facilmente e aumentar a audiência”, diz o especialista.

Em entrevista ao #blogVencerLimites, Faganello fala sobre a escassez de vídeos e filmes com acessibilidade, o argumento da dificuldade em contratar e pagar por esses recursos, e também opina sobre a falta de interesse em incluir pessoas com deficiência no público.

“A falta de interesse acontece porque as estatísticas são imprecisas. Lidamos ainda com o Censo de 2010, que não traz respostas plenas sobre a segmentação do público. E lidamos com números que entidades dizem serem maiores do que mostra o Censo de 2010”, afirma o cineasta.

“Quase todas as empresas inserem o tema acessibilidade na área de compliance, boas práticas ou responsabilidade social e não como estratégia de mercado segmentado. Além disso, existem boas leis, mas pouca fiscalização”, comenta.

Para Chico Faganello, as equipes, não só do audiovisual ligado ao entretenimento, mas também à propaganda e ao institucional, não têm conhecimento técnico, “que evoluiu muito nos últimos anos”, não planejam produtos com a perspectiva de acessibilidade, “o que é bem simples”, e os processos, por falta de conhecimento, acabam se tornando desnecessariamente complexos e caros.

“Se começassem antes e conhecendo os processos, isso seria mais simples, prático e fácil. E poderia gerar lucro. Esse é o nosso foco. Por exemplo, vamos ensinar desde fazer legendas gratuitas até as mais complexas para o cinema. E também a gravar e editar Libras com o celular”, diz.

Custo para a produção – Faganello afirma que, com planejamento, o custo da acessibilidade pode ser muito baixo porque grande parte dos processos pode ser feita in house.

“O que falta é conhecimento profissional, não de máquinas. Quanto custa fazer uma legenda em vídeo de marketing digital acessível para surdos? Quase nada, apenas o tempo e a capacidade do profissional, uma vez que o processo e as máquinas são gratuitos. Quanto custa para descrever uma imagem estática na rede social para as pessoas cegas? Quase nada. Com conhecimento, o custo se torna baixo, desde que haja planejamento e algo fundamental: a presença de pessoas com deficiência nos processos. Existem milhares de profissionais no Brasil”, destaca o cineasta.

“O problema atual é que o mercado atual se aproveita da falta de informação e de um contexto desordenado, sem parâmetros e que, em certa medida, ainda é recente no que se refere à normativas e práticas”, diz. “Claro que todo o trabalho bem feito exige orçamento adequado, agora comparar os gastos muitas vezes esdrúxulos de uma campanha publicitária com os custos de acessibilidade é falta de informação. A relação custo-benefício é alta”, afirma Faganello, que cita um estudo sobre quanto a indústria de Hollywood gasta em traduções e quanto ganha no mercado externo, de outros idiomas. “A comparação é notável. O gasto é baixo e o retorno é alto”, comenta o cineasta.

“Não existem mais limitações tecnológicas para que nenhum filme, série ou simples vídeo de marketing digital não possa ser acessível, com Libras, audiodescrição e legendas para surdos e ensurdecidos”, completa Chico Faganello.

Quem tiver interesse no curso, que é financiado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul e pela Agência Nacional do Cinema (BRDE/Ancine), pode saber mais na página Filmes Que Voam ou entrar em contato pelo (48) 99161-3112.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais gravada pelo intérprete e tradutor Gabriel Finamore.


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