Constância

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Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de março de 2014 | 10h58

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

“Se eu tivesse o carro mais caro, comprado com desconto, e pudesse bancá-lo, isso não seria a solução dos nossos problemas porque, com muita dificuldade, conseguimos encontrar uma área de desembarque para a pessoa com deficiência”. A reclamação, feita pelo advogado Márcio Gonçalves Felipe, pode ser comprovada nas ruas de qualquer cidade brasileira. E mostra que o abatimento de até 30% no valor de um carro – benefício possível para pessoas com deficiência – ajuda muito, mas se torna inútil, se não houver fiscalização e respeito às leis que garantem acessibilidade.

Apesar de não ter limitações de movimento ou qualquer deficiência que impossibilite seu acesso ao mundo, Márcio conhece de perto a realidade de quem convive com limitações físicas. Sua mãe, Constância Gonçalves Felipe, tem mielite transversa e usa, aproximadamente há 12 anos, usa uma cadeira de rodas.

“Acordei durante a madrugada para ir ao banheiro e minhas pernas pararam de funcionar”, explica dona Constância. A família mora em Santos, litoral sul de SP, em uma casa. “Fiquei dez dias no hospital e, quando voltei, tivemos de fazer adaptações. Hoje, durmo na sala e não vou para o andar de cima”.

Por causa do tempo em que esteve hospitalizada, sempre deitada, ela acabou com escaras na região lombar e precisou ser submetida a uma cirurgia plástica para reconstrução do tecido no local. A necrose causada pelo problema abriu um grande buraco e a pele não foi suficiente. Por isso, além de não conseguir mexer as pernas, dona Constância também deve ter cuidado com outros movimento do corpo. “Pode rasgar a pele”.

Sobre o uso de carros adaptados, ela é categórica. “Prefiro andar de ônibus, porque não preciso sair da cadeira de rodas”, embora ela critique muito a qualidade do transporte público acessível. “No fim de semana, não existe”.

Vez ou outra, dona Constância pagava por um serviço particular. “O motorista vinha com um carro adaptado e eu entrava por trás, com um elevador, sem sair da cadeira. O problema é que isso ficou caro demais”.

Márcio Felipe diz que, para dar conforto e qualidade de vida à mãe, o gasto mensal chega a R$ 4 mil. E que o valor é bancado com a ajuda de seus três irmãos. “Temos uma diarista, uma pessoa para cuidar dela no fim de semana e outra que vem todas as noites para dar banho e a trocar de roupa”.

Ainda assim, ele afirma que o desconto no carro (comprado com isenção) não resolve outros problemas. “Quem vai dirigir? Eu não fico o tempo todo com ela. Teríamos de contratar um motorista. O ideal seria que a pessoa com deficiência tivesse o máximo de autonomia. Acessibilidade é tudo. Porque ele já é dependente. O melhor seria termos calçadas perfeitas, lisas, em bom estado. Ônibus pontuais. Locais adequados e decentes para esperar esses ônibus. Nesse cenário, minha mãe poderia sair com a cadeira, iria até o ponto de ônibus sem maiores dificuldades e atravessaria ruas sem problemas. Os veículos teriam elevadores funcionando e ela poderia ir para onde quisesse. E, no local que ela escolhesse, existiria um espaço certo para ela desembarcar do ônibus”.

AMANHÃ – Para Alexei, entrar e sair do carro não é problema.

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