Cresce violência contra mulheres com deficiência, mas pandemia dificulta registros

Cresce violência contra mulheres com deficiência, mas pandemia dificulta registros

Em SP, casos de lesão corporal aumentaram 68% e número de boletins de ocorrência caiu 33%, diz Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência. Campanha de metroviários alerta para agravamento do problema.

Luiz Alexandre Souza Ventura

25 de março de 2021 | 17h17

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Foto do rosto de uma mulher com os olhos fechados e as mãos sobre a boca. Crédito: Reprodução.

Descrição da imagem #pracegover: Foto do rosto de uma mulher com os olhos fechados e as mãos sobre a boca. Crédito: Reprodução.


A violência contra a mulher com deficiência cresceu nas cidades paulistas, segundo informações da Base de Dados dos Direitos da Pessoa com Deficiência, organizada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo (SEDPcD), mas as medidas de prevenção durante a pandemia de covid-19, com regras de isolamento e distanciamento social, estão dificultando os registros dos casos.

De acordo com SEDPcD, na comparação de 2019 com 2020, houve crescimento de 67,9% nas denúncias de lesão corporal e de 34,2% nas notificações de ameaça, mas o número de boletins de ocorrência lavrados caiu 33,4%, de 12.494 para 8.352. A violência doméstica e o estelionato são os principais relatos.

“Aliada a questão do isolamento social, temos também o fenômeno da subnotificação de violências sofridas pelas pessoas com deficiência que, com a interrupção das atividades escolares e profissionais presenciais, dificultou ainda mais a identificação de sinais de violência e de denúncias pelos colegas de trabalho, profissionais da educação”, explica a secretária Célia Leão.

“Outro ponto importante para destacar é que em função da pandemia, tivemos de março até agosto de 2020 uma queda geral no número de BOs registrados na 1ª Delegacia da Pessoa com Deficiência da capital”, esclarece a titular da SEDPcD.

De acordo com a Base de Dados, SP tem 1.710.601 mulheres com deficiência, o que equivale a 56,86% do número total de pessoas com deficiência no estado.

Uma forma de ajudar as mulheres com deficiência é acompanhar o TODAS in-Rede, que capacita profissionais da Rede de Proteção e das Delegacias de Defesa da Mulher, para atendimento qualificado às vítimas.

Outra forma é acionar a DPPD (Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência), que fica na Rua Brigadeiro Tobias, n° 527, no centro histórico da capital paulista. Uma das medidas para ampliar o acesso à delegacia foi a implementação de atendimento à distância.
O serviço tem WhatsApp (+55 11 99918-8167) e WhatsApp exclusivo para pessoas surdas que se comunicam em Libras (+55 11 94528-9710), além de telefone fixo (11) 3311-3380, do email dppd.decap@policiacivil.sp.gov.br e também da página da delegacia eletrônica.

Outros canais de atendimento são o Disque 181, Disque 180, Disque 100, Disque 190 e Maria da Penha Virtual.



Uma campanha liderada pela AME (Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais) estimula a denúncia e apoia mulheres e jovens com deficiência que sofrem agressão. A violência pode ser física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial. Entre os sinais estão marcas no corpo, dores, mudanças de comportamento e quadros depressivos. O Projeto Caliandra, em parceria com a ONG Mobility International USA (MIUSA), abrange Brasil, Haiti, Serra Leoa, Sri Lanka, Nigéria e Mongólia. Denúncias podem ser enviadas para caliandra@ame-sp.org.br

“As consequências do isolamento social têm sido ainda mais cruéis com mulheres e jovens com deficiência, muitas vezes abandonadas pelas próprias famílias. Há relatos muito tristes de violência e maus tratos que precisam ser conhecidos e combatidos pela sociedade”, diz José de Araújo Neto, presidente da AME.

“Sabemos hoje que, segundo dados da ONU, do Banco Mundial e da Universidade de Yale, a mulher com deficiência sofre três vezes mais com violência sexual que uma mulher sem deficiência”, afirma Ana Rita de Paula, coordenadora técnica do Projeto Caliandra. O nome é inspirado eem uma flor do cerrado que aproveita os poucos recursos desse ecossistema para se desenvolver e florir.

‘Caliandra – sua voz, nossa voz’ – A campanha é composta por dois vídeos e quatro folderes eletrônicos veiculados na internet. A meta é iniciar a coleta de dados sobre a violência contra a mulher com deficiência, buscar parcerias para qualificar profissionais de saúde e assistência social que consigam identificar casos de violência e se aproximar de grupos feministas para tornar a luta contra violência mais inclusiva.

O projeto busca incentivar o trabalho cooperativo entre organizações governamentais e não governamentais com o envolvimento de movimentos e coletivos voltados às pessoas com deficiência, às mulheres e à comunidade em geral.

Tem apoio da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de SP.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido por Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais pela tradutora e intérprete Milena Silva.


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