“Deficiência não é doença”

“Deficiência não é doença”

Professor Romeu Kazumi Sassaki, membro da comissão selecionadora do 'Prêmio de Jornalismo Rui Bianchi', e referência sobre inclusão e acessibilidade no Brasil, explica como é importante entender a diferença entre causas e efeitos de uma deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

26 Setembro 2015 | 12h52

Estudantes de todo o País podem fazer inscrição até o dia 22 de outubro de 2015. Imagem: Reprodução

Estudantes podem fazer inscrição até 22/10/2015. Imagem: Reprodução

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“Doença não é deficiência, assim como deficiência não é doença, mas algumas deficiências são causadas por doenças, assim como poderiam ser causadas por acidentes de qualquer tipo, violência urbana, maus-tratos em casa, tiros e explosões em tempos de guerra, etc. Outras deficiências são congênitas”, explica o professor Romeu Kazumi Sassaki.

Especialista em aconselhamento de reabilitação, consultor de inclusão social e autor do livro ‘Inclusão: Construindo uma sociedade para todos’, o professor Romeu está na comissão selecionadora do ‘Prêmio de Jornalismo Rui Bianchi’, que recebe, até 22 de outubro, inscrições de reportagens sobre pessoas com deficiência feitas por estudantes.

Saiba mais sobre o Prêmio de Jornalismo Rui Bianchi

Criado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o prêmio, conforme explica o professor, dedica-se aos direitos de pessoas com deficiência e não de pessoas doentes ou adoentadas. “Se alguma pessoa com deficiência estiver doente ou adoentada, como é natural que isso aconteça, a secretaria não perderá o foco da deficiência e defenderá o direito dessa pessoa à saúde e aos serviços de saúde”, diz.

Ele alerta que é preciso manter a perspectiva pela qual devemos considerar a pessoa e a saúde (ou qualquer outra causa) dessa pessoa. “O prêmio poderá aceitar inscrições que tratem de pessoas com epilepsia desde que o foco não esteja na epilepsia em si, ou seja, na doença em sua fase aguda, durante a qual a pessoa fica grande parte do dia ou da semana ou do mês em tratamento médico intensivo. Portanto, poderão ser aceitas as reportagens que focalizem a pessoa com epilepsia, estando suas convulsões sob controle e, assim, permitindo que ela dedique a maior parte do seu tempo aos estudos, ao emprego, ao lazer coletivo etc”, finaliza o professor.

Romeu Kazumi Sassaki. Foto: Divulgação

Romeu Kazumi Sassaki. Foto: Divulgação

Outras informações – No regulamento do prêmio está explicado que pessoas com deficiência “são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”, conforme estabelece o Artigo 1º, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e também a Lei Brasileira de Inclusão.

Entre seus objetivos está “incentivar os futuros jornalistas a refletirem acerca de seu papel na construção de uma sociedade inclusiva e sobre as questões relativas às pessoas com deficiência, tendo por inspiração o modelo social da deficiência, os princípios da inclusão social e o protagonismo das pessoas com deficiência”.

Neste sentido, reportagens sobre pessoas acometidos por qualquer doença podem ser inscritas, mas deve haver ter atenção ao que o prêmio propõe e verificar se o trabalho traz uma reflexão sobre os princípios da inclusão social e o protagonismo das pessoas com deficiência na sociedade. O foco não deve ser a doença.

A ideia é destacar reportagens que fogem do habitualmente mostrado na grande imprensa, que normalmente apresenta a pessoa com deficiência de forma piegas, sugerindo a piedade, usando termos errados como ‘deficientes’, ‘portadores de deficiência’, ‘pessoas com necessidades especiais’, etc.

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