Dell investe em tecnologia assistiva

Dell investe em tecnologia assistiva

Pessoas com deficiência que trabalham no centro de pesquisas da empresa em Fortaleza (CE) desenvolvem e avaliam ferramentas de acessibilidade. O #blogVencerLimites visitou a fábrica de Hortolândia (SP) para conhecer o projeto e testar as ferramentas. Destaque para um aplicativo usado por pessoas surdas para fazer teste de som nos computadores.

Luiz Alexandre Souza Ventura

08 de agosto de 2019 | 14h06


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Descrição da imagem #pracegover: Aplicativo MAIA em uso na fábrica da Dell em Hortolândia. Uma funcionária avalia três notebooks. No alto da tela, um tablet mostra o número 1, repetindo o som emitido pelo sistema. Crédito: Reprodução.


Uma função bastante específica e muito necessária. Pessoas com deficiência que trabalham na Dell em Fortaleza (CE) desenvolvem, testam e avaliam ferramentas de acessibilidade que são usadas nas fábricas do grupo. Esse time integra a equipe do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Dell (LE@D).

“O LE@D foi criado em 2011, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (UECE), para desenvolver uma plataforma de ensino à distância voltada às pessoas com deficiência, com funcionalidades e características que maximizassem o aprendizado, com foco na capacitação profissional”, explica Éder Soares, gerente de projetos de inovação da Dell.

O #blogVencerLimites foi à fábrica de Hortolândia (SP) para conhecer algumas soluções já em uso. Na unidade, 20% dos 700 funcionários são pessoas com deficiência. É a líder nas práticas inclusivas da companhia no Brasil e no mundo.

Um dos destaques é o MAIA, aplicativo instalado em tablets ou smartphones, usado no setor de Quick Test (teste rápido) das máquinas já montadas, que possibilita a pessoas com qualquer grau de perda auditiva fazer testes de áudio nos computadores montados.

A solução, bastante simples e muito eficiente, emite um alerta visual em conjunto com o sinal sonoro que constata o funcionamento dos auto-falantes. Antes da inclusão do MAIA, trabalhadores surdos não participavam desse processo.

“Além de incluir os funcionários que não escutam, o Maia se tornou parte dessa etapa também para pessoas sem deficiência, reforçando a mensagem e reconfirmando o alerta em áudio”, afirma Igor Brum, engenheiro da Dell responsável pelo projeto MAIA.


Descrição do vídeo #pracegover: Aplicativo MAIA em uso na fábrica da Dell em Hortolândia. Uma funcionária avalia três notebooks. No teste de áudio, o sistema emite um sinal sonoro com os números 1 e 2. Esses números surgem na tela de um tablet e confirmam o funcionamento dos auto-falantes. Crédito: Divulgação.


O LE@D tem 142 integrantes, todos capacitados em desenvolvimento e teste de software, entre profissionais da Dell e da UECE. O professor Francisco Oliveira, da Universidade Estadual do Ceará, é o coordenador de pesquisas do projeto.

“São 28 pessoas surdas, 14 com deficiência visual e duas com deficiências físicas, com diversos níveis de formação. Isso nos permite avaliar diferentes aspectos e dificuldades de cada indivíduo”, ressalta Éder Soares. Profissionais multidisciplinares, como psicólogos, fisioterapeutas e outros especialistas, também fazem parte do quadro.

AUTISMO – Éder Soares comenta que um rapaz com o Transtorno do Espectro Autista – aluno da faculdade de informática – fez parte do time, também na função de testador das tecnologias.

“A ideia era que esse funcionário nos entregasse uma avaliação específica, sobre como uma pessoa com autismo poderia ter melhor relação com nossas ferramentas, pedimos críticas e sugestões. Tentamos adaptar o processo para torná-lo confortável, era feito até em casa, mas ele não se sentia bem naquela função e pediu para sair”, conta Soares.

A atuação de pessoas com autismo nos testes foi suspensa para que o processo seja reavaliado. A meta é incluir no trabalho tecnologias usadas em games, unindo mundo real com virtual, em formato que não pressione o avaliador.

TREINAMENTO – Outra tecnologia assistiva testada pelo #blogVencerLimites na fábrica da Dell em Hortolândia foi o ARTRADE, solução de realidade aumentada, ainda em produção, que será usada na capacitação de novos funcionários para trabalhar linha de montagem.

Com um óculos de realidade virtual, a pessoa pode participar de todas as etapas da fabricação dos computadores, recebendo orientações sobre a colocação de cada peça e repetindo o que for necessário.

PARA CADEIRANTES – Batizado de STEVE, está em produção na central de pesquisas de Fortaleza um exoesqueleto para uso na linha de produção. As bancadas de trabalho têm padrões de altura que não podem ser alterados. Por isso, pessoas com paraplegia, membros amputados, com restrição de movimentos nas pernas ou que se locomovem em cadeiras de rodas não conseguem alcançar os equipamentos. Dessa forma, com o exoesqueleto, será possível participar de todas as etapas na fábrica.

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