Democracia do movimento para eliminar a paralisia interna

Luiz Alexandre Souza Ventura

29 Novembro 2012 | 19h15

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Limitações físicas, sejam elas provocadas por acidentes ou doenças, criam uma percepção única sobre os detalhes do cotidiano. Todos os movimentos rotineiros – sair da cama, escovar os dentes, dirigir um carro, pegar um ônibus ou entrar em um prédio – ganham conotação específica e podem (mas não devem) ser encarados como desafios impossíveis.

Sendo assim, torna-se fácil (e totalmente superficial) imaginar que cadeirantes, paraplégicos e tetraplégicos jamais conseguiriam ultrapassar as barreiras impostas por essas condições. Fundamental é ter a certeza de que ninguém está aprisionado no próprio corpo e a ‘paralisia interna’ não pode vencer o indivíduo com ou sem restrições motoras em braços ou pernas

Um exemplo desta democracia do movimento é o espetáculo ‘Por trás da cor dos olhos’, que a companhia de dança Pulsar apresenta no Rio de Janeiro. “A locomoção existe de diversas formas, está além da cadeira de rodas, está no chão e no ar”, diz a diretora Teresa Taquechel. “Os próprios corpos locomovem a si mesmos, criando um plano de inerência, para gerar sensações e percepções, a partir da construção cênica”, diz.

No palco, dez bailarinos, entre eles três cadeirantes, apresentam movimentos aéreos, criados em parceria com a Intrépida Trupe.

E se limitações físicas não podem ser paralisadoras, a bailarina Beth Caetano, de 51 anos, é uma protagonista dessa libertação. Envolvida com o mundo da dança desde a infância, ela ficou tetraplégica aos 23 anos, após sofrer um acidente de carro. “A dança é desafiadora para todas as pessoas, com deficiência ou não”, diz. “Atualmente, para mim, a técnica deixou de ser o mais importante e deu lugar à percepção e à sensibilidade”, afirma a profissional de comunicação que trabalha há mais de 20 anos no Centro de Vida Independente (CVI) do Rio de Janeiro.

‘Todoplégico’ – Para o ator e bailarino Rogério Andreoli, que teve poliomielite aos 9 meses de idade e usa uma cadeira de rodas, o movimento faz parte da vida desde antes do nascimento. “Se eu fosse ‘todoplégico’, se movimentasse somente os olhos, dançaria com eles. Se nem isso tivesse, dançaria em pensamento”, diz o cofundador da Pulsar, que faz questão de ressaltar: “abomino a expressão ‘preso a uma cadeira de rodas’. Quem está preso?”, pergunta.

SERVIÇO – ‘Por trás da cor dos olhos’

Data: 29 de novembro a 02 de dezembro
Local: Espaço Tom Jobim (Rio de Janeiro)
Endereço: Rua Jardim Botânico, nº 1008 – Jardim Botânico
Horários:
– Quinta-feira: 20h30
– Ssexta-feira: 15h e 20h30
– Sábado: 20h30
– Domingo: 15h e 19h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia entrada)
Telefones: (21) 2274-7012 / 9579-4150

Data: 6 a 9 de dezembro
Local: Teatro Cacilda Becker (Rio de Janeiro)
Endereço: Rua do Catete, nº 338 – Largo do Machado/Catete
Horários
– Quinta-feira: 20h
– Sexta-feira: 15h e 20h
– Sábado: 20h
– Domingo: 15h e 19h
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia entrada)
Telefone: (21) 2265-9933