Braile completa 191 anos e se mantém fundamental para alfabetização de pessoas cegas

Braile completa 191 anos e se mantém fundamental para alfabetização de pessoas cegas

8 de abril é o Dia Nacional do Braile. Data foi estabelecida em 2010 para comemorar o nascimento do primeiro professor cego do País e também para celebrar esse sistema de leitura e escrita. No Brasil, segundo o IBGE, aproximadamente 600 mil cidadãos são cegos.

Luiz Alexandre Souza Ventura

08 Abril 2016 | 08h22

Brasil tem aproximadamente 600 mil cidadãos cegos, segundo o IBGE (Reprodução)

Brasil tem aproximadamente 600 mil cidadãos cegos, segundo o IBGE (Reprodução)

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“A verdadeira educação das crianças cegas só acontece quando elas podem dispor de livros em braile”, afirma Regina Oliveira, coordenadora da revisão de materiais em braile na Fundação Dorina Nowill para Cegos, membro do Conselho Iberoamericano do Braile e do Conselho Mundial do Braile.

“Os textos escritos estão constantemente presentes na vida das pessoas que enxergam, por meio de outdoors, manchetes que podem ser lidas em jornais e revistas, legendas de filmes e de outros programas de televisão, além de tantas outras situações do cotidiano. Já as pessoas cegas conseguem ler apenas os textos em braile que lhes chegam às mãos”, explica.

Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 6,5 milhões de cidadãos com deficiência visual. Desse total, 582 mil são cegos. A data ‘8 de abril’ foi estabelecida em 2010 o como ‘Dia Nacional do Braile’ para celebrar o nascimento de José Álvares de Azevedo (1834, no Rio de Janeiro), primeiro professor brasileiro cego que trouxe o método para o País em 1850.

José Álvares de Azevedo trouxe o braille para o Brasil (Reprodução)

José Álvares de Azevedo trouxe o braile para o Brasil (Reprodução)

Azevedo, que nasceu cego, é o patrono da educação dos cegos no Brasil. De família abastada – era filho de Manuel Álvares de Azevedo -, foi para a França em 1844, com apenas 10 anos, para estudar no Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris (Institut National des Jeunes Aveugles), onde permaneceu por seis anos. Voltou ao Brasil em 1850 com o propósito de difundir o braile e criar uma escola para cegos. Escreveu e publicou artigos sobre as possibilidades e condições de educação para pessoas cegas.

O sistema foi criado pelo francês Louis Braille, que ficou cego durante a infância. Em 1825, então com 16 anos, ele apresentou a primeira versão e mudou a vida das pessoas cegas em todo o mundo. O ‘Dia Mundial do Braile’ é comemorado em 4 de janeiro, data do nascimento de seu criador, na cidade de Coupvray, em 1809.

Livros em braile devem ser preferencialmente transcritos em papel sulfite de gramatura 120 e cada página em tinta corresponde a aproximadamente três páginas do sistema. “Para que gosta de ler, nada substitui o prazer de ter um livro entre as mãos, sentir o cheiro, virar as páginas em busca de novas revelações ou voltar a reviver as sensações agradáveis do que já foi descoberto”, comenta Regina Oliveira.

Louis Braille criou o método na França (Reprodução)

Louis Braille criou o método na França (Reprodução)

O braile tem base na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, permite a formação de 63 caracteres diferentes, que representam as letras do alfabeto, números, simbologia científica, musicográfica, fonética e informática.

Adapta-se à leitura tátil porque os seis pontos em relevo podem ser percebidos pela parte mais sensível do dedo com apenas um toque. A leitura do braile é feita da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Algumas pessoas que conseguem ler até 200 palavras por minuto.

O Sistema Braile obedece a regras internacionais de altura do relevo e de distância entre pontos, entre linhas e entre ‘celas’, que são formadas por duas colunas de três pontos. Há combinações para a representação de letras, números, símbolos científicos, notas musicais, fonética e informática.

Pode ser utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão, mas nem toda pessoa cega lê o braile. Cada caractere pode ser percebido com apenas um toque da parte mais sensível do dedo indicador (a polpa). Também pode ser escrito à mão, utilizando uma ferramenta chamada reglete e outra chamada punção, que funcionam como caderno e caneta. A escrita manual deve ser feita da direita para a esquerda para garantir o relevo ao virar o papel que foi puncionado.

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