“É preocupante a situação dos atletas após os Jogos Paralímpicos”

“É preocupante a situação dos atletas após os Jogos Paralímpicos”

Para treinador brasileiro, empresas e empresários devem apostar na contratação de pessoas com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

14 Outubro 2015 | 12h50

Diogo Cardoso é técnico da velocista Alice Corrêa. Foto: Divulgação

Diogo Cardoso é técnico da velocista Alice Corrêa. Foto: Divulgação

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Há uma grande expectativa sobre o desempenho dos atletas brasileiros no Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, principalmente após a excelente campanha no Parapan 2015. A preparação para as competições do próximo ano é forte. A meta é alcançar ao menos a quinta colocação no quadro de medalhas. Em 2012, nos Jogos de Londres, o Brasil terminou na sétima posição.

Existe, no entanto, uma realidade que se aproxima na mesma velocidade e gera preocupação. O que vai acontecer ao atletas com deficiência após os Jogos?

“Muitos competidores já estão no final da fase de competições, principalmente por causa da idade. O pós-jogos é preocupante, porque esses atletas vivem do esporte”, diz Diogo Cardoso da Silva, treinador que trabalha com atletas com deficiência desde 2009.

“Pessoas com deficiência estão acostumadas com desafios”, diz Diogo Cardoso. Foto: Divulgação

Técnico da velocista Alice Corrêa, ele acredita que empresas e empresários devem apostar na contratação de pessoas com deficiência. “São pessoas acostumadas com desafios e, quando motivadas, mostram resultados quase sempre acima da média. O mercado de trabalho tem muito a ganhar se investir no trabalhador com deficiência”, afirma o treinador.

Diogo entende que a constante evolução brasileira em competições internacionais é resultado de um trabalho contínuo do Comitê Paralímpico Brasileiro, na mesma velocidade que outros países. “Estamos em igualdade com nossos principais adversários, como China, Estados Unidos e Canadá, mas é importante dizer que as competições para atletas com deficiência são muito mais recentes e, desta forma, há o mesmo tempo de investimento”, diz.

Diogo Cardoso trabalha com atletas com deficiência desde 2009. Foto: Divulgação

Diogo Cardoso trabalha com atletas com deficiência desde 2009. Foto: Divulgação

O treinador explica que a preparação de atletas de alto desempenho tem sido aprimorada. “Hoje, os competidores atingem um alto nível de rendimento com mais rapidez e os treinos não precisam mais ser tão prolongados, permitindo a essas pessoas diferentes tipos de acompanhamento, com fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais. O trabalho para os próximos anos terá de ser feito na base, com os jovens”, defende.

Para Diogo Cardoso, os Jogos Paralímpicos podem mudar para melhor a forma como a sociedade compreende o universo da pessoa com deficiência. “É um exemplo, inclusive para famílias que costumam superproteger crianças com deficiência. Falta conhecimento, entendimento sobre as diferenças. É importante propor desafios. Se a criança cair e se machucar, deve aprender a levantar e prosseguir. Toda criança se machuca”, conclui.

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