“O Brasil não tem estrutura para desenvolvimento do atleta com deficiência”

“O Brasil não tem estrutura para desenvolvimento do atleta com deficiência”

Diogo Ualisson é velocista e afirma que há poucas iniciativas privadas para incentivar os atletas com deficiência, o que cria uma dependência excessiva do poder público.

Luiz Alexandre Souza Ventura

19 Maio 2015 | 10h59

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Diogo Uallison se dedica totalmente ao esporte. Foto: Divulgação

Diogo Ualisson se dedica totalmente ao esporte. Foto: Divulgação

Diogo Ualisson Jerônimo da Silva nasceu e foi criado em Bom Sucesso, no Rio de Janeiro. Aos 22 anos, é velocista e compete nos 100, 200 e 400 metros. Já fez parte da seleção brasileira e representou o País em torneios internacionais. Para conseguir ficar entre os melhores e manter o alto desempenho, tem uma rotina diária de intenso treinamento, com foco nos Jogos Paralímpicos de 2016. “O cenário nacional para desenvolvimento do atleta com deficiência é muito precário. A maioria depende muito do poder público. Apesar disso, têm surgido bons resultados”, diz.

Patrocinado pela Seguros Unimed, ele credita à iniciativa privada o crescimento no número de competidores com destaque nos principais eventos. “Não é possível melhorar o atleta sem apoio, sem o auxílio de especialistas, como treinadores, nutricionistas, fisioterapeutas e até psicólogos. É isso que amplia a vantagem dos nossos adversários”, comenta Diogo, que foi destaque no Open Paraolímpico Internacional, em 2013, realizado no Complexo Esportivo do Ibirapuera, em São Paulo, quando venceu os 100m e 200m, categoria T12, para pessoas com deficiência visual.

Diogo nasceu com baixa visão e enxerga até uma distância de quatro metros. Sua mãe teve rubéola durante a gravidez. O atletismo surgiu quando era aluno do Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio de Janeiro, a convite de um amigo. Em 2009, foi destaque Paraolimpíadas Escolares e do Circuito Brasileiro. Ainda na escola, conheceu as dificuldades impostas pela falta de acessibilidade, mas afirma que a atitude da pessoa com deficiência é fundamental. “Antes do IBC, tive dificuldades porque havia sim muito preconceito, de colegas e também de professores”, lembra. “Mas há também muito desconhecimento sobre sobre os direitos de cada um. Quando vou ao banco, por exemplo, entro na fila preferencial. E muita gente me julga sem saber da minha situação. É algo do cotidiano, mas é um constrangimento, porque frequentemente tenho que explicar e até comprovar minha deficiência. Só que eu não abro mão dos meus direitos”, desabafa o atleta.

Ele afirma que jamais permitiu ser excluído, mesmo quando era xingado por outras crianças. “Ainda falta muita informação sobre a pessoa com deficiência no Brasil. Essas crianças não sabia nada sobre isso. É uma questão de conhecimento, de educação nos primeiros anos de vida”, diz.

Diogo Uallison treina para os Jogos Paralímpicos de 2016. Foto: Divulgação

Diogo Ualisson treina para os Jogos Paralímpicos de 2016. Foto: Divulgação