“Empatia é uma competência poderosa”

“Empatia é uma competência poderosa”

Em artigo exclusivo para o #blogVencerLimites, Stefanie Murta, consultora especializada em projetos humanizados para RH, cofundadora da Senda Recursos Humanos, destaca a importância da empatia nas relações pessoais e de trabalho, inclusive quando esse convívio envolve profissionais com deficiência. "Precisamos des-alienar. É uma palavra que não existe, mas você sabe exatamente o que significa".

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 de julho de 2019 | 12h00


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Descrição da Imagem #pracegover: Várias mãos unidas, umas sobre as outras. Crédito: Reprodução.


A participação de pessoas com deficiência no dia a dia das grandes empresas é transformadora. A partir de uma experiência de vida com desafios específicos e barreiras constantes, profissionais com deficiência levam às companhias uma maneira particular de observar rotinas, projetos, relações, as necessidades e expectativas dos clientes, as lideranças e os preconceitos que permeiam o mercado corporativo.

Dessa nova relação com a diversidade surge a empatia, algo que está além de uma simples compreensão sobre as diferenças e a realidade do outro.

Em artigo exclusivo para o #blogVencerLimites, Stefanie Murta, consultora especializada em projetos humanizados para RH, cofundadora da Senda Recursos Humanos, destaca a importância da empatia como competência fundamental no ambiente corporativo atual e na liderança.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de Stefanie Murta. Ela está sorrindo, com a cabeça levemente inclinada para a esquerda, olhando para a câmera. Tem cabelos lisos e compridos. Veste uma blusa branca. Crédito: Reprodução.


DES-ALIENANDO

por Stefanie Murta*

Outro dia, durante uma aula da minha especialização em Psicologia Positiva com a professora Andréa Perez, que é a idealizadora do Portal ‘Felicidade Agora é Ciência’, ela explicava sobre ‘Eudaimonia’ de Aristóteles.

E então ela nos perguntou:

“O que você trouxe para esse mundo?”
“O que você está fazendo com isso?”

Explicando de maneira bem simples, para Aristóteles, o ‘DAIMON’ (Eudaimonia) é como uma espécie de DNA, um conjunto de competências e atributos que as pessoas traziam ao nascer e que podiam torná-las virtuosas.

Havia o entendimento de que o direito à felicidade era apenas para os que honravam esses atributos recebidos para sua existência, desenvolvendo o que tinham de melhor dentro de si e, o mais importante, usando essas habilidades e talentos a serviço de um bem maior.

“O que você trouxe para esse mundo e o que você está fazendo com isso?”.

Não me parece uma resposta fácil.

Quando falamos em potencialidades, estamos falando de algo que todos trouxemos, sem exceção ou algum tipo de exclusão. Todos temos o direito de desenvolvê-las.

Quando falamos em um bem maior, estamos pensando no outro, na necessidade do outro, em se conectar com o mundo do outro, ou seja, estamos falando de empatia, uma competência que muitos não desenvolveram e, o mais triste, verbalizam dificuldade em exercer.

Ela, a empatia, é difícil mesmo. Eu entendo.

Só se manifesta no sentir, principalmente sentir uma dor que não nasce no nosso quintal, na nossa pele ou na pele do nosso filho.

Nem sempre conseguimos, né? Algumas vezes, no máximo, atingimos uma simpatia floreada.

A simpatia é agradável, educada, esperada pelos outros e até mesmo doce. Abre caminhos, desarma pessoas, prepara ambientes, nos aproxima de objetivos, entre muitas outras manobras. Mas ela, por si só, é superficial e apenas um início.

A evolução da superficialidade para a profundidade nas relações é a capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro, perceber o que o outro sente, respeitar, considerar, acolher, não ser indiferente e, mesmo que você não saiba como, colocar-se à disposição.

Simpatia sem empatia não tem humanidade, é apenas utilidade. Perceber pessoas e situações como utilidades, mesmo que de maneira inconsciente, jamais te levará ao estágio mais sólido das relações profundas, que é a confiança.

Para nos tornarmos pessoas empáticas, saber o significado da palavra não basta, para ela se fazer presente, existente em mim, eu preciso sentir. E saber sentir a necessidade do outro, mais especificamente ter empatia, hoje considerada uma das maiores competências dos líderes do futuro.

Como desenvolvemos a empatia em ambientes onde nossa racionalidade é exigida em 100% do tempo, com 150% da sua potência máxima, como no mundo corporativo, por exemplo?

Existem muitas formas e metodologias, mas particularmente e com o objetivo de atingir um bem maior, um ótimo exercício não só para o desenvolvimento da empatia, mas também de cidadania, mudança de cultura e promoção de conexões mais positivas dentro de uma companhia, é a implantação de um Programa de Emprego Apoiado.

Essa experiência, se implantada de maneira comprometida de fato, apoiada pelos líderes, é capaz de promover movimentos inesperados na rotina da empresa e principalmente, mudanças incríveis na postura de seus colaboradores.

Uma mudança positiva, que acontece naturalmente e gradualmente, dia a dia, a cada adaptação, a cada passo para trás, para se refazer a forma. Surge o espaço para a gentileza, para dar passagem ou a preferência, para o pedido de desculpas.

Assim, de maneira simples, vai nascendo a capacidade de enxergar o outro, cada olhar de estranhamento é substituído pela compreensão e logo vai surgindo uma amizade e a melhora das conexões.

A cada conquista surge o reconhecimento que desbrava o caminho do desenvolvimento profissional, a cada encontro no corredor, elevador ou no cafezinho, até que os resultados começam a aparecer na vida de todos e na saúde do negócio, na mudança de olhar e postura diante das circunstâncias.

Da capacidade de ressignificar as crises ou reestruturações nasce uma percepção mais sensível sobre a necessidade do cliente, logo surge a inovação, que afeta os resultados e, assim, segue de forma ilimitada, de acordo com a nossa capacidade de estarmos disponíveis para o outro.

Sim, isso é possível e mais fácil do que as circunstâncias e limitações que, em meus 18 anos de RH, vivenciei em grandes corporações que se transformaram.

Desvios de caráter, líderes incapazes de perceber seus liderados, profissionais de Recursos Humanos debochando das limitações alheias, conversas de café e corredor empenhadas no julgamento e nunca no auxílio, entre várias outras limitações compreendidas e relevadas pelas empresas em troca de um pseudo resultado positivo.

Não, o mundo corporativo não é só ‘dinheiro no bolso do acionista’, como, infelizmente, ainda ouvimos com frequência de muitos jovens.

Precisamos des-alienar.

Pois é, essa palavra não existe, mas é incrível como você sabe exatamente o que ela significa.

A capacidade de empatia é uma competência muito poderosa, basta nos abrirmos, sabermos além do que dizem, nos aprofundarmos, mudarmos o olhar em direção ao outro, que logo novos caminhos surgem e percebemos que somos capazes de chegar em resultados melhores, não só para os acionistas, mas para todos, e de maneira mais profunda, mais responsável e sustentável, garantindo o direito a todos de se desenvolverem em seu potencial máximo, sem exceção, independentemente se sua necessidade específica está no físico ou na alma.

E você, o que você trouxe para esse mundo e o que está fazendo com isso?

*Stefanie Murta é pós-graduada em psicologia positiva (Ciência do Bem Estar e Auto Realização), com especialização em neurociência do comportamento, Mentoring Coaching humanizado e Business Partner em Recursos Humanos. É graduada em Serviço Social, com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. Para saber mais sobre a profissional, entre em contato pelo email contato@sendarh.com.br ou acesse www.sendarh.com.br.

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