“Emprego Apoiado demonstra boa vontade corporativa e respeito ao próximo”

“Emprego Apoiado demonstra boa vontade corporativa e respeito ao próximo”

Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sétimo texto é assinado por Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 Outubro 2018 | 11h01

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sétimo texto é assinado por Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Carolina Ignarra está em uma cadeira de rodas, em frente a um notebook que está sobre uma mesa, em um escritório. A executiva é branca, tem cabelos longos e castanhos, veste um casaco escuro e uma camisa verde. Está sorrindo para a câmera e tem as mãos apoiadas na mesa e no computador. A mesa têm porta-retratos e um vidro jateado à frente. Crédito: Divulgação

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sétimo texto é assinado por Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Carolina Ignarra está em uma cadeira de rodas, em frente a um notebook que está sobre uma mesa, em um escritório. A executiva é branca, tem cabelos longos e castanhos, veste um casaco escuro e uma camisa verde. Está sorrindo para a câmera e tem as mãos apoiadas na mesa e no computador. A mesa têm porta-retratos e um vidro jateado à frente. Crédito: Divulgação


A falta de estrutura de emprego apoiado, para garantir a pessoas com deficiência oportunidades equivalentes de aprendizado no ambiente de trabalho, pode destruir por completo um projeto de inclusão. O que deveria ampliar acessos ao emprego, acaba por reduzir as chances de evolução profissional. Nesse processo, ficam evidentes as práticas de discriminação e exclusão.

Um exemplo dessa dinâmica invertida está escancarado na denúncia da enfermeira Andrea Batista da Silva, que tem autismo e relatou boicote de colegas e superiores no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O caso foi publicado com exclusividade pelo blog Vencer Limites. A reportagem levou o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) a abrir uma investigação.

O blog Vencer Limites convidou especialistas e autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sétimo texto é assinado por Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir.

Leia também os artigos escritos por Cid Torquato, secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo; Mara Ligia Kiefer, gerente de projetos de inclusão da i.Social; Irma Rossetto Passoni e Jesus Carlos Delgado Garcia, do Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL); Lara Souto Santana, coordenadora de desenvolvimento de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo; Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos, e pela neuropsicóloga Sandra Dias Batochio da Silva.


IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva

IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva.


Emprego Apoiado é inclusão e cidadania corporativa

por Carolina Ignarra*

No universo das pessoas com deficiência, aquelas que têm deficiências intelectuais são as que mais encontram dificuldades de inclusão no emprego. De acordo com os dados da RAIS/CAGED 2106, a prioridade está na contratação de pessoas com deficiência física (48,9%).

Na sequência estão os trabalhadores com deficiência auditiva (19,2%), deficiência visual (12,8%), reabilitados (9,2%), pessoas com deficiência intelectual (8,2%) e com deficiências múltiplas (1,7%).

Esses dados revelam que a preocupação das empresas está muito mais ligada ao cumprimento das exigências Lei de Cotas (nº 8213/1991) do que ser, de fato, uma empresa inclusiva.

Ao buscar profissionais com deficiências, as empresas priorizam pessoas que não necessitam de apoio contínuo. Quando uma empresa começa contratando por causa da Lei de Cotas, vai fazer tudo pela lei, ou seja, se preocupar em atingir um número do que com o desenvolvimento e transformação social da pessoa contratada. Assim, corre o risco de deixar de ser uma empresa realmente preocupada com a inclusão.

O Emprego Apoiado é o antídoto contra a exclusão dos profissionais com deficiências intelectuais do mercado de trabalho, metodologia essencial que observa primeiro o perfil da pessoa em relação às funções previstas. Com o apoio adequado, esse profissional terá chance de se desenvolver e produzir excelentes resultados dentro da sua realidade.

As limitações das pessoas com deficiência intelectual devem ser respeitadas e não ignoradas. Sem aplicação dessa metodologia, a única chance de inclusão está em uma remota possibilidade do gestor ter muita disposição para investir nesse processo, motivado geralmente por casos de deficiência similares na família.

Vale destacar que muitas ONGS cedem voluntários apoiadores gratuitamente para ajudar empresas a incluir pessoas com deficiências intelectuais.

Recentemente, com a Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015), pessoas com deficiências mentais, que provocam alterações no modo como essa pessoa percebe a realidade, podem ser enquadradas na Lei de Cotas. São diferentes das deficiências intelectuais, que acometem a cognição. O processo para incluir esses profissionais, no entanto, deve seguir as mesmas diretizes.

Essa verificação é mais cuidadosa e precisa ser feita com apoio de um médico que conheça profundamente os enquadramentos da Lei de Cotas e que tenha experiência nas negociações com os órgãos fiscalizadores, para haver entendimento dos casos específicos.

Escolher a deficiência para uma vaga de emprego é tão cruel quanto as barbaridades às quais essas pessoas são submetidas desde o nascimento, principalmente a preconceitos e escassez de oportunidades. Neste sentido, o Emprego Apoiado é a oportunidade de atender a um público que estava excluído do mundo do trabalho.

Segundo os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 5% da população global têm alguma deficiência intelectual. É muita gente. E a inclusão desses profissionais tem de ser muito mais natural do que realmente é.

O apoio contínuo inverte o método ‘treinar e colocar’ para ‘colocar e treinar’. Isso ajuda a dar visibilidade a esses profissionais, tornando o ambiente de trabalho mais inclusivo, criativo e inovador, contribuindo para que as equipes pensem de forma diferenciada.

A inclusão contagia o jeito de criar, vender e atender aos mais variados perfis de clientes. Isso é inovação.

O Emprego Apoiado não é apenas uma metodologia de trabalho. Trata-se de uma transformação na forma de oferecer acesso ao trabalho para pessoas com limitações intelectuais e, portanto, precisa de uma legislação específica.

É hora de mudar a lei, contemplar os diferentes tipos de deficiências para garantir oportunidades a todos, ao invés de incentivar a exclusão.

A inclusão pelo Emprego Apoiado é a maior demonstração de boa vontade corporativa e respeito às necessidades do próximo. Não é mais uma questão única de cumprimento de Lei de Cotas.

Empresas, seus produtos e serviços, precisam SER muito inclusivas do que ter inclusão.

*Carolina Ignarra é sócia fundadora da Talento Incluir, consultoria que promove a relação entre profissionais com deficiência e o mercado de trabalho.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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