“Emprego Apoiado é pilar para o desenvolvimento do profissional com deficiência”

“Emprego Apoiado é pilar para o desenvolvimento do profissional com deficiência”

Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O nono texto é assinado por Murillo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

15 Outubro 2018 | 11h00

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O nono texto é assinado por Murillo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Foto do executivo em uma sala de trabalho. Ele tem cabelos pretos e barba escura, está sorrindo para a câmera, com os braços apoiados sobre a mesa. As mãos estão sobre o teclado de um notebook. Sobre a mesa, um porta-retratos e um telefone. Crédito: Divulgação.

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades e especialistas que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O nono texto é assinado por Murillo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Foto do executivo em uma sala de trabalho. Ele tem cabelos pretos e barba escura, está sorrindo para a câmera, com os braços apoiados sobre a mesa. As mãos estão sobre o teclado de um notebook. Sobre a mesa, um porta-retratos e um telefone. Crédito: Divulgação.


A falta de estrutura de emprego apoiado, para garantir a pessoas com deficiência oportunidades equivalentes de aprendizado no ambiente de trabalho, pode destruir por completo um projeto de inclusão. O que deveria ampliar acessos ao emprego, acaba por reduzir as chances de evolução profissional. Nesse processo, ficam evidentes as práticas de discriminação e exclusão.

Um exemplo dessa dinâmica invertida está escancarado na denúncia da enfermeira Andrea Batista da Silva, que tem autismo e relatou boicote de colegas e superiores no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O caso foi publicado com exclusividade pelo blog Vencer Limites. A reportagem levou o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) a abrir uma investigação.

O blog Vencer Limites convidou especialistas e autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O nono texto é assinado por Murillo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho.

Leia também os artigos escritos por Cid Torquato, secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo; Mara Ligia Kiefer, gerente de projetos de inclusão da i.Social; Irma Rossetto Passoni e Jesus Carlos Delgado Garcia, do Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL); Lara Souto Santana, coordenadora de desenvolvimento de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo; Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos; a neuropsicóloga Sandra Dias Batochio da Silva; Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir, e Flávio Gonzalez, da Apae de São Paulo.


IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva

IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva.


Carência de Emprego Apoiado expõe fragilidades na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

por Murilo Cavellucci*

Segundo o dicionário Houaiss, o verbo apoiar significa, dentre outras coisas, buscar firmeza em; dar apoio a (alguém ou algo); prestar-se mútuo auxílio; ajudar ou proteger por meio de atividade ou operação complementar. Apoiar é verbo transitivo. É aquele cujo sentido só se dá por meio de um complemento.

Assim também é o Emprego Apoiado, cujo intuito é viabilizar a inclusão no mercado de trabalho de pessoas em situação de incapacidade mais significativa – incluindo profissionais com deficiência – respeitando e reconhecendo suas escolhas, interesses, pontos fortes e necessidades de apoio. Mas tal qual o conceito da Língua Portuguesa, o Emprego Apoiado é sobretudo, o ato de ajudar uma pessoa. De se colocar à disposição e servir de pilar para o desenvolvimento de um profissional.

E para quem precisa dessa ajuda, o Emprego Apoiado é a chave para o exercício de uma função. Enquanto muitos discutem somente a entrada da pessoa no mercado de trabalho – e essa discussão é fundamental – poucos, contudo, param para pensar sobre o depois. E depois da contratação? Como apoiar um profissional com deficiência, a fim de que ele possa executar o trabalho dele da forma mais completa? Que ele tenha todos os subsídios necessários para poder contribuir com a empresa da melhor maneira?

Casos como o da enfermeira Andrea, que acusou o Hospital do Servidor Público de São Paulo de discriminação, expõe o preconceito e a falta de estrutura de algumas empresas no suporte ao profissional com deficiência. Mais do que isso, escancara a fragilidade de parte das corporações para lidarem com pessoas e suas singularidades.

Quando jogamos luz nesses problemas, especialmente em relação às pessoas com deficiência, fica claro que precisamos avançar muito mais. Que a Lei de Cotas foi e permanece como um diferencial para a carreira das pessoas com deficiência.

Mas ela só não basta. As empresas não cumprem seu papel social quando se comportam como depósitos de profissionais com deficiência com o objetivo único de cumprir uma lei. E não há outra forma de evitar isso, a não ser por meio do apoio. Apoio esse que é uma linha tênue que separa o conseguir do desistir.

Acredito que o caminho mais curto para exercer com responsabilidade e eficácia o Emprego Apoiado é o olhar além da cota. E essa postura deve passar obrigatoriamente pela alta liderança da empresa. Tem de fazer parte da cultura da companhia, vivenciada no dia a dia, a ponto de se tornar um valor de negócio. O setor de RH, com uma abordagem inclusiva, tem o papel fundamental de ser o vetor de contaminação de todos os níveis da organização, além de, muitas vezes, ser a porta de entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.

Com esses três pilares muito bem estabelecidos – inclusão, cultura forte de estímulo e respeito à diversidade, e um RH atuante e comprometido – o Emprego Apoiado será tratado de forma natural, e casos como esse da enfermeira Andrea deixarão de ser debatidos, simplesmente por não existirem mais.

*Murillo Cavellucci é diretor de gente e gestão da Catho.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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