“Emprego apoiado é qualidade de vida para a pessoa com deficiência”

“Emprego apoiado é qualidade de vida para a pessoa com deficiência”

Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O terceiro texto é assinado por dois especialistas do Instituto de Tecnologia Social - ITS BRASIL. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 Setembro 2018 | 11h00

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O terceiro texto é assinado por dois especialistas do Instituto de Tecnologia Social - ITS BRASIL. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo está Irma Rossetto Passoni, especialista em relações institucionais do ITS BRASIL. Ela está em pé e fala ao microfone. Tem cabelos brancos e curtos e veste roupa cinza. No lado direito está Jesus Carlos Delgado Garcia, gestor de projetos do ITS BRASIL. Ele também está em pé e fala ao microfone. Tem cabelos brancos e curtos, usa óculos e veste camisa azul clara. Crédito: Divulgação

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O terceiro texto é assinado por dois especialistas do Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo está Irma Rossetto Passoni, especialista em relações institucionais do ITS BRASIL. Ela está em pé e fala ao microfone. Tem cabelos brancos e curtos, e veste roupa cinza. No lado direito está Jesus Carlos Delgado Garcia, gestor de projetos do ITS BRASIL. Ele também está em pé e fala ao microfone. Tem cabelos brancos e curtos, usa óculos e veste camisa azul clara. Crédito: Divulgação


A falta de estrutura de emprego apoiado, para garantir a pessoas com deficiência oportunidades equivalentes de aprendizado no ambiente de trabalho, pode destruir por completo um projeto de inclusão. O que deveria ampliar acessos ao emprego, acaba por reduzir as chances de evolução profissional. Nesse processo, ficam evidentes as práticas de discriminação e exclusão.

Um exemplo dessa dinâmica invertida está escancarado na denúncia da enfermeira Andrea Batista da Silva, que tem autismo e relatou boicote de colegas e superiores no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O caso foi publicado com exclusividade pelo blog Vencer Limites. A reportagem levou o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) a abrir uma investigação.

O blog Vencer Limites convidou especialistas e autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O segundo texto é assinado por Irma Rossetto Passoni e Jesus Carlos Delgado Garcia, do Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL, que desenvolve pesquisas e projetos em emprego apoiado desde 2005.

Leia também os textos escritos pelo secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo, Cid Torquato, e por Mara Ligia Kiefer, gerente de projetos de inclusão da i.Social, consultoria de recursos humanos especializada na colocação de pessoas com deficiência mercado de trabalho.


IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva

IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva


Emprego Apoiado

por Irma Rossetto Passoni* e Jesus Carlos Delgado Garcia**

A humanidade tem assistido nos últimos anos a uma verdadeira revolução na concepção sobre a deficiência, causada principalmente pela mobilização social das pessoas com deficiência e pela convergência de diferentes pesquisas científicas nas áreas de psicologia, sociologia, bioética e outras disciplinas.

A referência maior de tipo conceitual e normativo para todas as políticas públicas relacionadas com a deficiência é o conceito expresso na Convenção da ONU. “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” (Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Brasília, 2012).

Assim, a deficiência é fruto do desconhecimento da sociedade diante de pessoas com impedimentos e diversidade funcional. Isto é, a causa da deficiência não se encontra na pessoa, nem nos impedimentos (cegueira, paraplegia, síndrome de Down, etc.) que ela tenha, mas na sociedade que coloca barreiras ou obstruções para sua plena participação.

Em consequência, entende-se a deficiência como uma responsabilidade social compartilhada. Nessa concepção, o principal destaque deve ser dado à perspectiva dos direitos e, por isso, as pessoas com deficiência não devem ser vistas como pessoas defeituosas, imperfeitas ou incapazes, mas como pessoas em plenitude humana e, portanto, como sujeitos possuidores de direitos que precisam ser implementados.

Ao encontro desse conceito e discussões foi criada há mais de 30 anos, nos Estados Unidos, a metodologia do Emprego Apoiado (EA), com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência por meio da realização de trabalho com apoio. Esta metodologia busca contribuir na transformação de pessoas segregadas e dependentes em autônomas e socialmente participativas, capazes de controlar e dirigir a sua própria vida, iguais às demais pessoas e junto a elas.

Em síntese, pode-se dizer que o Emprego Apoiado é uma tecnologia social que integra um conjunto de ações de assessoria, orientação, formação e acompanhamento personalizado, dentro e fora do local de trabalho, realizadas por profissionais especializados. Seu objetivo é conseguir que pessoas com deficiência e outros coletivos em situação de exclusão social encontrem e mantenham um emprego remunerado em empresas do mercado formal de trabalho, ou através de outras formas de geração de trabalho e renda, nas mesmas condições que o restante das pessoas que desempenham funções equivalentes.


IMAGEM 03: Metologia de Emprego Apoiado transforma pessoas segregadas e dependentes em autônomas e socialmente participativas, capazes de controlar e dirigir a sua própria vida. Descrição #pracegover: Gráfico mostra os diversos instrumentos de apoio à pessoa com deficiência no trabalho desde a fase anterior à contratação até a participação diária desse funcionário na empresa. Crédito: Divulgação

IMAGEM 03: Metologia de Emprego Apoiado transforma pessoas segregadas e dependentes em autônomas e socialmente participativas, capazes de controlar e dirigir a sua própria vida. Descrição #pracegover: Gráfico mostra os diversos instrumentos de apoio à pessoa com deficiência no trabalho desde a fase anterior à contratação até a participação diária desse funcionário na empresa. Crédito: Divulgação


É importante destacar que o Emprego Apoiado não se caracteriza por ações assistencialistas ou altruístas, mas pelo profissionalismo e o respeito à legislação trabalhista, ou seja, o empregador deve estar satisfeito com a qualidade e produtividade do trabalho desempenhado pelo empregado, assim como o funcionário deve estar com a função exercida e as condições de trabalho, as quais deverão ocorrer em situação de igualdade em relação aos seus companheiros.

Para todas as pessoas, a relação do trabalho com a qualidade de vida é ambivalente, isto é, depende das condições em que ele é realizado. Condições sociais degradantes, jornadas excessivas, inadequação ergonômica, ritmo intensivo, monotonia, pressão psicológica, arrocho salarial, ambiente de insalubridade, assédio, precariedade, etc., são causadores de todo tipo de doenças, sofrimentos, mal-estares e alienação. De outro lado, o trabalho realizado em condições adequadas é valorizado como fonte de realização humana, de emancipação pessoal, de independência econômica, de integração social, de exercício de um direito humano básico, de satisfação emocional e de qualidade de vida.

Neste sentido é possível destacar como benefícios do Emprego Apoiado a saída da situação do desemprego, sobretudo do desemprego de longa duração, a adequação entre a vocação e o perfil profissional da pessoa com deficiência e as características do posto de trabalho e da função a ser desempenhada, a livre escolha do trabalho e o auxílio na remoção de barreiras.

Esses benefícios influenciam diretamente na qualidade de vida da pessoa com deficiência, estimulando sua autonomia, reduzindo o estresse causado pelas tensões existentes entre as exigências ou demandas do trabalho e aumentando o índice de retenção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.

Os depoimentos das pessoas beneficiadas pela metodologia do Emprego Apoiado refletem e demonstram esses benefícios. Todas essas evidências nos encorajam a expressar a conveniência de implantar o Emprego Apoiado como parte de uma ampla Política Pública de Apoio à Saúde, em abrangência nacional. A contribuição do Emprego Apoiado para a melhora da saúde e qualidade de vida das pessoas com deficiência é importante e desejável.

*Irma Rossetto Passoni é especialista em relações institucionais no Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL.

**Jesus Carlos Delgado Garcia, gestor de projetos do Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase ‘VencerLimites’ pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as ‘fake news’. Se tiver dúvidas, verifique.


Mande mensagem, crítica ou sugestão para blogVencerLimites@gmail.com

Acompanhe o #blogVencerLimites nas redes sociais

Facebook Twitter Instagram LinkedIn Google+ YouTube