“Emprego Apoiado garante respeito aos direitos e à cidadania da pessoa com deficiência”

“Emprego Apoiado garante respeito aos direitos e à cidadania da pessoa com deficiência”

Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O quinto texto é assinado por Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

17 Setembro 2018 | 11h00

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O quinto texto é assinado por Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Homem negro sentado em uma cadeira de rodas equipada com vários dispositivos eletrônicos e mecânicos. Ele veste terno cinza, camisa branca, gravata azul e fala ao microfone segurando por outra pessoa. Crédito da foto: Isabela Carrari / Prefeitura de Santos / 23/mar/2018.

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O quinto texto é assinado por Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Homem negro sentado em uma cadeira de rodas equipada com vários dispositivos eletrônicos e mecânicos. Ele veste terno cinza, camisa branca, gravata azul e fala ao microfone segurando por outra pessoa. Crédito da foto: Isabela Carrari / Prefeitura de Santos / 23/mar/2018.


A falta de estrutura de emprego apoiado, para garantir a pessoas com deficiência oportunidades equivalentes de aprendizado no ambiente de trabalho, pode destruir por completo um projeto de inclusão. O que deveria ampliar acessos ao emprego, acaba por reduzir as chances de evolução profissional. Nesse processo, ficam evidentes as práticas de discriminação e exclusão.

Um exemplo dessa dinâmica invertida está escancarado na denúncia da enfermeira Andrea Batista da Silva, que tem autismo e relatou boicote de colegas e superiores no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O caso foi publicado com exclusividade pelo blog Vencer Limites. A reportagem levou o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) a abrir uma investigação.

O blog Vencer Limites convidou especialistas e autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O quinto texto é assinado por Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos.

Leia também os artigos escritos por Cid Torquato, secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo; Mara Ligia Kiefer, gerente de projetos de inclusão da i.Social; Irma Rossetto Passoni e Jesus Carlos Delgado Garcia, do Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL), e Lara Souto Santana, coordenadora de desenvolvimento de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo.


IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva

IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva


Para obter êxito da contratação de pessoas com deficiência

por Marco Pellegrini*

O desafio para a contratação de pessoas com deficiência tem nome: Andrea Batista da Silva, enfermeira demitida do Hospital do Servidor Público de SP em função do desconhecimento sobre as características da síndrome de Asperger, autismo de grau leve.

Esse mesmo desafio tinha nome em 1991: Marco Pellegrini, metroviário com experiência pioneira na instalação da Linha Vermelha, em SP, e que teve o emprego ameaçado a partir do assalto na porta de casa, que o deixou tetraplégico.

Em ambos os casos, algo comum: a falta de conhecimento sobre práticas inclusivas e até mesmo sobre os impedimentos provocados pela deficiência, que deveriam ser transpostos com a eliminação de barreiras.

Ao lado de Andrea, convido o leitor a refletir sobre o que passam as pessoas com deficiência ainda hoje no mercado de trabalho, na busca de sua plena cidadania.

Tive minha capacidade de decisão questionada ao tentar fazer coisas da rotina, como pedir a minha comida no restaurante, assinar com a boca para movimentar a conta bancária, na compra e venda de imóveis e veículos. E ainda mais quando investi na minha volta ao trabalho.

Quando fui ao INSS solicitando o retorno à atividade, o médico perito chamou a psicóloga para me persuadir à aposentadoria, numa cena que se repetia, confrontando meus objetivos. Eu os venci apresentando soluções de tecnologia que proveram a minha autonomia.

E, nessa trajetória, tive também a felicidade de cruzar com pessoas hoje reconhecidas na implementação do Emprego Apoiado. Foi um êxito que contagiou a empresa e alçou todos nós a muitos outros voos.

Da mesma forma, desejo inspirar os envolvidos, Andrea e o HSPE, com base nas metodologias de Emprego Apoiado e tecnologias assistivas, para que seja renovada a coragem de fazer mais inclusivo o mundo ao nosso redor.

Com uso de boa metodologia de Emprego Apoiado podemos garantir respeito aos nossos direitos e à nossa cidadania. Existem hoje muitas empresas fazendo isso, em especial no apoio à pessoa com deficiência física severa ou deficiência intelectual.

Sim, qualquer pessoa pode colaborar na equipe. Afinal, parafraseando Caetano, “de perto, ninguém é normal”.

*Marco Pellegrini é secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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