Emprego Apoiado para pessoas com deficiência combate a crueldade no trabalho

Emprego Apoiado para pessoas com deficiência combate a crueldade no trabalho

Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sexto texto é assinado pela neuropsicóloga Sandra Dias Batochio da Silva. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

24 Setembro 2018 | 11h10

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sexto texto é assinado pela neuropsicóloga, Sandra Dias Batochio da Silva. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Andrea aparece entre duas colegas de trabalho. Ela veste uniforme de cor verde e está sorrindo para a câmera. Crédito: Arquivo Pessoal / Andrea Batista da Silva.

IMAGEM 01: Após denunciar boicote a uma enfermeira com autismo no Hospital do Servidor Público de SP, o blog Vencer Limites convidou autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sexto texto é assinado pela neuropsicóloga Sandra Dias Batochio da Silva. Em pauta, a importância da estrutura de emprego apoiado para igualdade e equidade no ambiente de trabalho. Descrição #pracegover: Andrea aparece entre duas colegas de trabalho. Ela veste uniforme de cor verde e está sorrindo para a câmera. Crédito: Arquivo Pessoal / Andrea Batista da Silva.


A falta de estrutura de emprego apoiado, para garantir a pessoas com deficiência oportunidades equivalentes de aprendizado no ambiente de trabalho, pode destruir por completo um projeto de inclusão. O que deveria ampliar acessos ao emprego, acaba por reduzir as chances de evolução profissional. Nesse processo, ficam evidentes as práticas de discriminação e exclusão.

Um exemplo dessa dinâmica invertida está escancarado na denúncia da enfermeira Andrea Batista da Silva, que tem autismo e relatou boicote de colegas e superiores no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. O caso foi publicado com exclusividade pelo blog Vencer Limites. A reportagem levou o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) a abrir uma investigação.

O blog Vencer Limites convidou especialistas e autoridades que atuam pela inclusão para avaliar o caso em artigos exclusivos. O sexto texto é assinado pela neuropsicóloga Sandra Dias Batochio da Silva.

Leia também os artigos escritos por Cid Torquato, secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo; Mara Ligia Kiefer, gerente de projetos de inclusão da i.Social; Irma Rossetto Passoni e Jesus Carlos Delgado Garcia, do Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL); Lara Souto Santana, coordenadora de desenvolvimento de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo, e Marco Pellegrini, secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos.


IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva

IMAGEM 02: Em denúncia publicada com exclusividade pelo blogVencerLimites, Andrea Batista da Silva afirma ter sido boicotada por colegas e superiores, avaliada sem receber apoio especializado para conhecer rotinas do HSPE e demitida após levar situação a público. Caso gerou reação de diversas instituições de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Descrição #pracegover: Foto dupla. No lado esquerdo, Andrea aparece sorrindo junto com quatro colegas em uma ala infantil hospitalar. No lado direito, imagem área do Hospital do Servidor Público de SP e a lista de aprovado em concurso, com o nome da enfermeira na quarta colocação. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Andrea Batista da Silva.


Emprego apoiado

por Sandra Dias Batochio da Silva*

O Brasil passou a considerar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) uma deficiência em 2012, mudança de grande importância para garantir direitos e auxiliar na inclusão social. Na prática, porém, não é o que observamos.

O caso da enfermeira Andrea nos mostra a realidade cruel que muitas pessoas com deficiência ainda enfrentam. Seis anos se passaram e muita coisa precisa ser questionada, aprendida e modificada.

A inclusão social do autista é imprescindível em todas as fases da vida, pois somente assim é possível desenvolvver suas potencialidades e sua autonomia.

Apesar da legislação que garante a inclusão do autista no trabalho, é nítido que não há uma inserção como deveria ocorrer de fato. Infelizmente, a dificuldade do autista em ingressar nesse mercado mostra uma realidade excludente.

Muitos jovens com TEA entram na faculdade e, quando buscam emprego, são barrados no momento da entrevista por suas dificuldades nas áreas de comunicação e interação social.

Dentro do espectro, boa parte dos autistas têm inteligência preservada e facilidades para algumas funções, com alto índice de concentração, foco e objetividade. Possuem habilidades específicas em organização, facilidade no cumprimento de regras e normas, são pontuais e responsáveis.

Quando se fala em autismo, existe uma visão estereotipada e a experiência nos mostra que essas pessoas são profissionais sérios, comprometidos e totalmente dedicados ao trabalho, mas esbarram no preconceito ou na dificuldade das pessoas entenderem que a sua falta de sociabilidade não é intencional, mas sim uma traço dentro do espectro, o qual pode variar dependendo da gravidade.

As empresas precisam olhar para o potencial e para as habilidades dessas pessoas e não para as suas dificuldades. Devem entender que, na inclusão, o emprego apoiado e os profissionais capacitados fazem diferença para que essa população consiga mostrar seu valor e todo o seu potencial.

Não adianta as empresas contratarem profissionais com Transtorno de Espectro Autista apenas para cumprir a Lei de Cotas. Elas precisam fazer um acolhimento mais eficaz desse público a partir do respeito mútuo e vencendo as dificuldades de interação e relações sociais.

*Sandra Dias Batochio da Silva é neuropsicóloga.

Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase 'VencerLimites' pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência, integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as 'fake news'. Se tiver dúvidas, verifique.

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