“Empresas e indústrias procuram cego que enxerga, surdo que escuta e cadeirante que anda”, diz presidente do Ceapcd

“Empresas e indústrias procuram cego que enxerga, surdo que escuta e cadeirante que anda”, diz presidente do Ceapcd

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de agosto de 2013 | 17h10

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

O presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência de SP (Ceapcd), Wanderley Marques de Assis, criticou na última terça-feira, 31, a falta de oportunidades para trabalhadores com deficiência no País. Em discurso durante evento para marcar os 22 anos da Lei de Cotas 8213/91, ele afirmou que os empregadores segregam e discriminam as pessoas com deficiência e escolhem funcionários com dificuldades menos aparentes. “As empresas e as indústrias querem cego que enxerga, surdo que escuta e cadeirante que anda”.

Assis disse também que números precisam ser analisados de forma crítica e não apenas comemorados. “Mesmo com 30 mil ou 40 mil pessoas empregadas, muitos ainda procuram trabalho. Por isso, se você analisar a situação com um olhar mais crítico, vai constatar que ainda está muito distante do ideal”.

O presidente do Ceapcd também alertou para a luta contra “pessoas que querem modificar ou derrubar a Lei de Cotas, com propostas que, se aprovadas, podem piorar um cenário que já não é bom”. E pediu uma reflexão sobre a união das pessoas com deficiência. “Conseguimos nos reunir para comemorar, mas será que conseguiremos fazer o mesmo para defender a Lei de Cotas?”.

O evento, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniu cerca de 200 pessoas e teve a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que ressaltou o atraso do País no que diz respeito às pessoas com deficiência. “O Brasil, durante muito tempo, foi um país egoísta, voltado para uma elite que pensava somente em si mesma. Agora, para acelerar, para recuperar o tempo, temos de criar cotas”.

Segundo o ministro, está em andamento um trabalho que busca o cumprimento da lei, por meio de conscientização, de mudanças na cultura e de adesões. Manoel Dias afirmou ainda que a pasta tem várias ações programadas, integradas a um conjunto de medidas sociais, entre elas o ingresso da população na classe média e a melhoria da qualidade do trabalho. “É o trabalho decente, com todos os brasileiros. A nação somente será igual, justa e democrática no dia em que praticar o trabalho decente. E não apenas com um discurso de categorias, do ministério, mas com um discurso de Estado. A incorporação das pessoas com deficiência é indispensável para que o País construa um trabalho decente”.

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